Formação em cinema

A narrativa documental brasileira

Esta é uma formação pelo pensamento crítico brasileiro. O cinema é visto não só como "retrato" da realidade, mas como um documento ao mesmo tempo ficcional e factual sobre a cultura e a história do país.


Desde os "filmes de cinema" (filme de invenção) de Rogério Sganzerla até os documentários de Eduardo Coutinho (que dizia jamais retratar propriamente a "realidade"), tanto o documentário quanto a ficção nos fornecem indícios ricos e diversificados que servem como uma sintomatologia da sociedade brasileira.


Mapear esses indícios exige um instrumental que cruza a teoria crítica com a análise estética. Para isso, estruturei esta formação em territórios que se conectam e se aprofundam mutuamente.


Abaixo, exponho brevemente os territórios que vamos atravessar

Formação em cinema

A narrativa documental brasileira

Esta é uma formação pelo pensamento crítico brasileiro. O cinema é visto não só como "retrato" da realidade, mas como um documento ao mesmo tempo ficcional e factual sobre a cultura e a história do país.


Desde os "filmes de cinema" (filme de invenção) de Rogério Sganzerla até os documentários de Eduardo Coutinho (que dizia jamais retratar propriamente a "realidade"), tanto o documentário quanto a ficção nos fornecem indícios ricos e diversificados que servem como uma sintomatologia da sociedade brasileira.


Mapear esses indícios exige um instrumental que cruza a teoria crítica com a análise estética. Para isso, estruturei esta formação em territórios que se conectam e se aprofundam mutuamente.


Abaixo, exponho brevemente os territórios que vamos atravessar

Formação em cinema

A narrativa documental brasileira

Esta é uma formação pelo pensamento crítico brasileiro. O cinema é visto não só como "retrato" da realidade, mas como um documento ao mesmo tempo ficcional e factual sobre a cultura e a história do país.


Desde os "filmes de cinema" (filme de invenção) de Rogério Sganzerla até os documentários de Eduardo Coutinho (que dizia jamais retratar propriamente a "realidade"), tanto o documentário quanto a ficção nos fornecem indícios ricos e diversificados que servem como uma sintomatologia da sociedade brasileira.


Mapear esses indícios exige um instrumental que cruza a teoria crítica com a análise estética. Para isso, estruturei esta formação em territórios que se conectam e se aprofundam mutuamente.


Abaixo, exponho brevemente os territórios que vamos atravessar

Cinema, literatura e história: as disciplinas que não deveriam ter fronteiras


O cinema brasileiro documenta o país. Não como ilustração da história, mas como documento das formações sociais. Glauber em Terra em Transe não está "retratando" a política brasileira — está criando um dispositivo formal (o discurso indireto livre) que faz a contradição aparecer. Coutinho em Edifício Master não está "registrando" a classe média baixa — está criando condições para que aquelas pessoas fabulem por si próprias.


Mas a universidade separa. Cinema vai para Comunicação. Literatura para Letras. História para História. Pensamento social para Ciências Sociais. E cada uma dessas gavetas produz especialistas que não conversam entre si. O resultado é uma fragmentação do conhecimento que impede exatamente o que o cinema brasileiro fez de melhor: dissolver fronteiras.


Pior: uma certa leitura do cinema brasileiro foi sendo marginalizada. O Cinema Marginal sofreu um triplo apagamento — marginalizado pelos cinemanovistas no auge, ignorado pela crítica posterior, seus filmes proscritos por décadas. A crítica que Sganzerla e Bressane faziam ao Cinema Novo no calor da hora ficou indisponível. E com ela, uma genealogia inteira do pensamento crítico brasileiro.


Se você sente que falta exatamente isso — um modo de ler o cinema brasileiro que não seja mera "história do cinema" nem pensamento social sem estética; uma tradição marginalizada que oferece outro ponto de partida; ferramentas críticas que funcionam na análise de Tropa de Elite tanto quanto de Cabra Marcado para Morrer — esta formação foi desenhada para você.

01

A narrativa descolonizadora

Este é o coração da formação e o seu ponto de partida. Aqui, aprendemos a "rasurar" os discursos dominantes. Através de autores como Edward Said, Beatriz Nascimento, Pasolini, Sganzerla, Bolaño e Coutinho, desenvolvemos as ferramentas para identificar o que coloniza o nosso olhar e criar condições para que novas potências emerjam.

Said criou a leitura contrapontística: ler o que o texto silencia, ouvir as vozes caladas no próprio gesto de narrar. Pasolini inventou o discurso indireto livre no cinema: a palavra diz uma coisa, a imagem mostra outra, nenhuma das duas mente. Sganzerla levou isso ao cinema brasileiro. Coutinho virou a lógica: deixou de falar sobre o povo e criou condições para que o povo fabulasse. Beatriz Nascimento precisou escrever em linguagem de poeta porque a historiografia não tinha palavras para o quilombo como modo de estar no mundo.

É o curso que fundamenta todos os outros. Sem esse instrumental, você consome cinema. Com ele, você rastreia terremotos clandestinos.

02

A Estética do Pecado

Uma leitura "à contrapelo" do pensamento social brasileiro. Confrontamos as ideias de Sérgio Buarque de Holanda e Antonio Candido com a violência e a malandragem do cinema. Do herói barroco de Glauber (Terra em Transe) ao herói ressentido de Tropa de Elite, passamos pela "cosmética da fome" até chegar ao retorno do pecaminoso com Cláudio Assis (Amarelo Manga) e Karim Aïnouz (Madame Satã, Céu de Suely).


A cordialidade brasileira em Sérgio Buarque não é weberiana, é nietzschiana. E conecta diretamente com outra categoria nietzschiana: o ressentimento. O Capitão Nascimento é cordial. Governa com o coração enquanto tortura. A malandragem de Antonio Candido vira marginalidade em Sganzerla: o Bandido da Luz Vermelha não transita entre ordem e desordem, explode as duas.


E a tal "hegemonia cultural de esquerda" (Schwarz, 1969)? Não chegou ao povo. Ficou circulando entre intelectuais enquanto a política se reorganizava de baixo (ABC, MST, MNU). O que este curso faz é colocar essa régua em disputa. Usar a marginalização de determinado ideário do cinema nacional para fazer uma leitura do pensamento social brasileiro que não passa pela régua dominante.

03

A Estética da Dependência

Um percurso pelos embates que formaram o cinema moderno no Brasil. Analisamos a ruptura do Cinema Marginal com o Cinema Novo nos anos 1960-70 e os diagnósticos críticos sobre a Retomada nos anos 1990. Aqui, investigamos como a nossa dependência estrutural se inscreve nas formas cinematográficas e por que o Cinema Marginal foi triplamente apagado.


Talvez não tenha existido "decadência". Muitas das críticas ao cinema brasileiro que vieram décadas depois (Ismail Xavier sobre "herói ressentido" e "cinema de resultado", Ivana Bentes sobre "cosmética da fome") já estavam plenamente desenvolvidas em pleno auge do Cinema Novo. Sganzerla em 1970: "Eu escolho o subdesenvolvimento não só como condição, mas também como escolha do filme."


Os cineastas marginais foram marginalizados pelos cinemanovistas, ignorados pela crítica posterior, seus filmes proscritos. Você aprende a ler escolhas formais como decisões políticas: excesso, precariedade, humor, violência e corpo não são ornamentos, são argumentos. E conecta debates de 1970 com o presente: os problemas reaparecem sempre que o cinema brasileiro entra em um novo ciclo de sucesso.

04

Jogos de Cena: o documentário brasileiro contemporâneo

Mergulhamos no documentário brasileiro contemporâneo para entender os limites entre o real e o encenado. Focamos no método de Eduardo Coutinho e na ética do olhar sobre o "outro de classe". É uma investigação sobre a potência da opacidade contra a tirania da transparência das redes sociais e da mídia comercial.


Do fenômeno dos reality shows à autoexposição nas redes sociais, um "apelo realista" permeia a cena documental contemporânea. Mas como o cinema brasileiro ressignifica isso? Karim Aïnouz, Kiko Goifman, João Moreira Salles, Carlos Nader expandem os limites da autoficção. A câmera documental explora poses e clichês visuais que habitam nossa perpétua auto mise-en-scène.


Coutinho é pioneiro na transição do modelo sociológico de documentário para a ficção documental, onde a mise-en-scène se torna recurso fundamental. A função fabuladora se sobrepõe à "verdade" predita. A vida de Waly Salomão filmada por Carlos Nader é testemunho de como a biografia pode ser construída sem traços do realismo convencional, fingindo opacidade para desmascarar a tirania da transparência.

05

A Experiência: Formação Completa & Bônus

Ao optar pela formação integral, você entra no ecossistema da Engenhoca. Além dos quatro percursos principais, você recebe:

Módulo Extra: A relação entre o cinema, a música e a cultura de massas no Brasil.
Atualizações Contínuas: Novas aulas e análises de lançamentos adicionadas durante o ano.
Modelo Streaming: Acesso via aplicativo próprio para assistir offline, participar da comunidade e ter suporte direto para tirar dúvidas.
12 meses de acesso

Não é um curso que "termina". É um organismo vivo. Seu pensamento continua sendo provocado durante todo o ano, com suporte direto e interlocução com o professor e outros participantes.

Cinema, literatura e história: as disciplinas que não deveriam ter fronteiras


O cinema brasileiro documenta o país. Não como ilustração da história, mas como documento das formações sociais. Glauber em Terra em Transe não está "retratando" a política brasileira — está criando um dispositivo formal (o discurso indireto livre) que faz a contradição aparecer. Coutinho em Edifício Master não está "registrando" a classe média baixa — está criando condições para que aquelas pessoas fabulem por si próprias.


Mas a universidade separa. Cinema vai para Comunicação. Literatura para Letras. História para História. Pensamento social para Ciências Sociais. E cada uma dessas gavetas produz especialistas que não conversam entre si. O resultado é uma fragmentação do conhecimento que impede exatamente o que o cinema brasileiro fez de melhor: dissolver fronteiras.


Pior: uma certa leitura do cinema brasileiro foi sendo marginalizada. O Cinema Marginal sofreu um triplo apagamento — marginalizado pelos cinemanovistas no auge, ignorado pela crítica posterior, seus filmes proscritos por décadas. A crítica que Sganzerla e Bressane faziam ao Cinema Novo no calor da hora ficou indisponível. E com ela, uma genealogia inteira do pensamento crítico brasileiro.


Se você sente que falta exatamente isso — um modo de ler o cinema brasileiro que não seja mera "história do cinema" nem pensamento social sem estética; uma tradição marginalizada que oferece outro ponto de partida; ferramentas críticas que funcionam na análise de Tropa de Elite tanto quanto de Cabra Marcado para Morrer — esta formação foi desenhada para você.

01

A narrativa descolonizadora

Este é o coração da formação e o seu ponto de partida. Aqui, aprendemos a "rasurar" os discursos dominantes. Através de autores como Edward Said, Beatriz Nascimento, Pasolini, Sganzerla, Bolaño e Coutinho, desenvolvemos as ferramentas para identificar o que coloniza o nosso olhar e criar condições para que novas potências emerjam.

Said criou a leitura contrapontística: ler o que o texto silencia, ouvir as vozes caladas no próprio gesto de narrar. Pasolini inventou o discurso indireto livre no cinema: a palavra diz uma coisa, a imagem mostra outra, nenhuma das duas mente. Sganzerla levou isso ao cinema brasileiro. Coutinho virou a lógica: deixou de falar sobre o povo e criou condições para que o povo fabulasse. Beatriz Nascimento precisou escrever em linguagem de poeta porque a historiografia não tinha palavras para o quilombo como modo de estar no mundo.

É o curso que fundamenta todos os outros. Sem esse instrumental, você consome cinema. Com ele, você rastreia terremotos clandestinos.

02

A Estética do Pecado

Uma leitura "à contrapelo" do pensamento social brasileiro. Confrontamos as ideias de Sérgio Buarque de Holanda e Antonio Candido com a violência e a malandragem do cinema. Do herói barroco de Glauber (Terra em Transe) ao herói ressentido de Tropa de Elite, passamos pela "cosmética da fome" até chegar ao retorno do pecaminoso com Cláudio Assis (Amarelo Manga) e Karim Aïnouz (Madame Satã, Céu de Suely).


A cordialidade brasileira em Sérgio Buarque não é weberiana, é nietzschiana. E conecta diretamente com outra categoria nietzschiana: o ressentimento. O Capitão Nascimento é cordial. Governa com o coração enquanto tortura. A malandragem de Antonio Candido vira marginalidade em Sganzerla: o Bandido da Luz Vermelha não transita entre ordem e desordem, explode as duas.


E a tal "hegemonia cultural de esquerda" (Schwarz, 1969)? Não chegou ao povo. Ficou circulando entre intelectuais enquanto a política se reorganizava de baixo (ABC, MST, MNU). O que este curso faz é colocar essa régua em disputa. Usar a marginalização de determinado ideário do cinema nacional para fazer uma leitura do pensamento social brasileiro que não passa pela régua dominante.

03

A Estética da Dependência

Um percurso pelos embates que formaram o cinema moderno no Brasil. Analisamos a ruptura do Cinema Marginal com o Cinema Novo nos anos 1960-70 e os diagnósticos críticos sobre a Retomada nos anos 1990. Aqui, investigamos como a nossa dependência estrutural se inscreve nas formas cinematográficas e por que o Cinema Marginal foi triplamente apagado.


Talvez não tenha existido "decadência". Muitas das críticas ao cinema brasileiro que vieram décadas depois (Ismail Xavier sobre "herói ressentido" e "cinema de resultado", Ivana Bentes sobre "cosmética da fome") já estavam plenamente desenvolvidas em pleno auge do Cinema Novo. Sganzerla em 1970: "Eu escolho o subdesenvolvimento não só como condição, mas também como escolha do filme."


Os cineastas marginais foram marginalizados pelos cinemanovistas, ignorados pela crítica posterior, seus filmes proscritos. Você aprende a ler escolhas formais como decisões políticas: excesso, precariedade, humor, violência e corpo não são ornamentos, são argumentos. E conecta debates de 1970 com o presente: os problemas reaparecem sempre que o cinema brasileiro entra em um novo ciclo de sucesso.

04

Jogos de Cena: o documentário brasileiro contemporâneo

Mergulhamos no documentário brasileiro contemporâneo para entender os limites entre o real e o encenado. Focamos no método de Eduardo Coutinho e na ética do olhar sobre o "outro de classe". É uma investigação sobre a potência da opacidade contra a tirania da transparência das redes sociais e da mídia comercial.


Do fenômeno dos reality shows à autoexposição nas redes sociais, um "apelo realista" permeia a cena documental contemporânea. Mas como o cinema brasileiro ressignifica isso? Karim Aïnouz, Kiko Goifman, João Moreira Salles, Carlos Nader expandem os limites da autoficção. A câmera documental explora poses e clichês visuais que habitam nossa perpétua auto mise-en-scène.


Coutinho é pioneiro na transição do modelo sociológico de documentário para a ficção documental, onde a mise-en-scène se torna recurso fundamental. A função fabuladora se sobrepõe à "verdade" predita. A vida de Waly Salomão filmada por Carlos Nader é testemunho de como a biografia pode ser construída sem traços do realismo convencional, fingindo opacidade para desmascarar a tirania da transparência.

05

A Experiência: Formação Completa & Bônus

Ao optar pela formação integral, você entra no ecossistema da Engenhoca. Além dos quatro percursos principais, você recebe:

Módulo Extra: A relação entre o cinema, a música e a cultura de massas no Brasil.
Atualizações Contínuas: Novas aulas e análises de lançamentos adicionadas durante o ano.
Modelo Streaming: Acesso via aplicativo próprio para assistir offline, participar da comunidade e ter suporte direto para tirar dúvidas.
12 meses de acesso

Não é um curso que "termina". É um organismo vivo. Seu pensamento continua sendo provocado durante todo o ano, com suporte direto e interlocução com o professor e outros participantes.

Cinema, literatura e história: as disciplinas que não deveriam ter fronteiras


O cinema brasileiro documenta o país. Não como ilustração da história, mas como documento das formações sociais. Glauber em Terra em Transe não está "retratando" a política brasileira — está criando um dispositivo formal (o discurso indireto livre) que faz a contradição aparecer. Coutinho em Edifício Master não está "registrando" a classe média baixa — está criando condições para que aquelas pessoas fabulem por si próprias.


Mas a universidade separa. Cinema vai para Comunicação. Literatura para Letras. História para História. Pensamento social para Ciências Sociais. E cada uma dessas gavetas produz especialistas que não conversam entre si. O resultado é uma fragmentação do conhecimento que impede exatamente o que o cinema brasileiro fez de melhor: dissolver fronteiras.


Pior: uma certa leitura do cinema brasileiro foi sendo marginalizada. O Cinema Marginal sofreu um triplo apagamento — marginalizado pelos cinemanovistas no auge, ignorado pela crítica posterior, seus filmes proscritos por décadas. A crítica que Sganzerla e Bressane faziam ao Cinema Novo no calor da hora ficou indisponível. E com ela, uma genealogia inteira do pensamento crítico brasileiro.


Se você sente que falta exatamente isso — um modo de ler o cinema brasileiro que não seja mera "história do cinema" nem pensamento social sem estética; uma tradição marginalizada que oferece outro ponto de partida; ferramentas críticas que funcionam na análise de Tropa de Elite tanto quanto de Cabra Marcado para Morrer — esta formação foi desenhada para você.

01

A narrativa descolonizadora

Este é o coração da formação e o seu ponto de partida. Aqui, aprendemos a "rasurar" os discursos dominantes. Através de autores como Edward Said, Beatriz Nascimento, Pasolini, Sganzerla, Bolaño e Coutinho, desenvolvemos as ferramentas para identificar o que coloniza o nosso olhar e criar condições para que novas potências emerjam.

Said criou a leitura contrapontística: ler o que o texto silencia, ouvir as vozes caladas no próprio gesto de narrar. Pasolini inventou o discurso indireto livre no cinema: a palavra diz uma coisa, a imagem mostra outra, nenhuma das duas mente. Sganzerla levou isso ao cinema brasileiro. Coutinho virou a lógica: deixou de falar sobre o povo e criou condições para que o povo fabulasse. Beatriz Nascimento precisou escrever em linguagem de poeta porque a historiografia não tinha palavras para o quilombo como modo de estar no mundo.

É o curso que fundamenta todos os outros. Sem esse instrumental, você consome cinema. Com ele, você rastreia terremotos clandestinos.

02

A Estética do Pecado

Uma leitura "à contrapelo" do pensamento social brasileiro. Confrontamos as ideias de Sérgio Buarque de Holanda e Antonio Candido com a violência e a malandragem do cinema. Do herói barroco de Glauber (Terra em Transe) ao herói ressentido de Tropa de Elite, passamos pela "cosmética da fome" até chegar ao retorno do pecaminoso com Cláudio Assis (Amarelo Manga) e Karim Aïnouz (Madame Satã, Céu de Suely).


A cordialidade brasileira em Sérgio Buarque não é weberiana, é nietzschiana. E conecta diretamente com outra categoria nietzschiana: o ressentimento. O Capitão Nascimento é cordial. Governa com o coração enquanto tortura. A malandragem de Antonio Candido vira marginalidade em Sganzerla: o Bandido da Luz Vermelha não transita entre ordem e desordem, explode as duas.


E a tal "hegemonia cultural de esquerda" (Schwarz, 1969)? Não chegou ao povo. Ficou circulando entre intelectuais enquanto a política se reorganizava de baixo (ABC, MST, MNU). O que este curso faz é colocar essa régua em disputa. Usar a marginalização de determinado ideário do cinema nacional para fazer uma leitura do pensamento social brasileiro que não passa pela régua dominante.

03

A Estética da Dependência

Um percurso pelos embates que formaram o cinema moderno no Brasil. Analisamos a ruptura do Cinema Marginal com o Cinema Novo nos anos 1960-70 e os diagnósticos críticos sobre a Retomada nos anos 1990. Aqui, investigamos como a nossa dependência estrutural se inscreve nas formas cinematográficas e por que o Cinema Marginal foi triplamente apagado.


Talvez não tenha existido "decadência". Muitas das críticas ao cinema brasileiro que vieram décadas depois (Ismail Xavier sobre "herói ressentido" e "cinema de resultado", Ivana Bentes sobre "cosmética da fome") já estavam plenamente desenvolvidas em pleno auge do Cinema Novo. Sganzerla em 1970: "Eu escolho o subdesenvolvimento não só como condição, mas também como escolha do filme."


Os cineastas marginais foram marginalizados pelos cinemanovistas, ignorados pela crítica posterior, seus filmes proscritos. Você aprende a ler escolhas formais como decisões políticas: excesso, precariedade, humor, violência e corpo não são ornamentos, são argumentos. E conecta debates de 1970 com o presente: os problemas reaparecem sempre que o cinema brasileiro entra em um novo ciclo de sucesso.

04

Jogos de Cena: o documentário brasileiro contemporâneo

Mergulhamos no documentário brasileiro contemporâneo para entender os limites entre o real e o encenado. Focamos no método de Eduardo Coutinho e na ética do olhar sobre o "outro de classe". É uma investigação sobre a potência da opacidade contra a tirania da transparência das redes sociais e da mídia comercial.


Do fenômeno dos reality shows à autoexposição nas redes sociais, um "apelo realista" permeia a cena documental contemporânea. Mas como o cinema brasileiro ressignifica isso? Karim Aïnouz, Kiko Goifman, João Moreira Salles, Carlos Nader expandem os limites da autoficção. A câmera documental explora poses e clichês visuais que habitam nossa perpétua auto mise-en-scène.


Coutinho é pioneiro na transição do modelo sociológico de documentário para a ficção documental, onde a mise-en-scène se torna recurso fundamental. A função fabuladora se sobrepõe à "verdade" predita. A vida de Waly Salomão filmada por Carlos Nader é testemunho de como a biografia pode ser construída sem traços do realismo convencional, fingindo opacidade para desmascarar a tirania da transparência.

05

A Experiência: Formação Completa & Bônus

Ao optar pela formação integral, você entra no ecossistema da Engenhoca. Além dos quatro percursos principais, você recebe:

Módulo Extra: A relação entre o cinema, a música e a cultura de massas no Brasil.
Atualizações Contínuas: Novas aulas e análises de lançamentos adicionadas durante o ano.
Modelo Streaming: Acesso via aplicativo próprio para assistir offline, participar da comunidade e ter suporte direto para tirar dúvidas.
12 meses de acesso

Não é um curso que "termina". É um organismo vivo. Seu pensamento continua sendo provocado durante todo o ano, com suporte direto e interlocução com o professor e outros participantes.

antonio-candido
Continuo realizando um cinema subdesenvolvido por condição e vocação, bárbaro e nosso, anticulturaltsta, buscando aquilo que o povo brasileiro espera de nós desde o tempo da chanchada: fazer do cinema brasileiro o pior cinema do mundo!

Rogério Sganzerla, Jornal do Brasil (1970)

antonio-candido
Continuo realizando um cinema subdesenvolvido por condição e vocação, bárbaro e nosso, anticulturaltsta, buscando aquilo que o povo brasileiro espera de nós desde o tempo da chanchada: fazer do cinema brasileiro o pior cinema do mundo!

Rogério Sganzerla, Jornal do Brasil (1970)

antonio-candido
Continuo realizando um cinema subdesenvolvido por condição e vocação, bárbaro e nosso, anticulturaltsta, buscando aquilo que o povo brasileiro espera de nós desde o tempo da chanchada: fazer do cinema brasileiro o pior cinema do mundo!

Rogério Sganzerla, Jornal do Brasil (1970)

Por que este curso é para você:

Por que este curso é para você:

Aprenda a ler o mundo, não apenas a consumir imagens. Esta formação não entrega "curiosidades" sobre cinema. Ela entrega um método de análise. Você sairá daqui com ferramentas para rasurar discursos oficiais e identificar as estruturas de poder que moldam a nossa cultura. Se você busca autonomia crítica, este é o seu lugar.

O fôlego necessário para a vida acadêmica (Mestrado/Doutorado). Muitos dos meus alunos são pesquisadores que buscam um diferencial teórico. Aqui, você encontra uma bibliografia que cruza Edward Said, Beatriz Nascimento, Deleuze e Pasolini. É o espaço ideal para quem precisa fundamentar projetos de pesquisa com rigor, mas sem a rigidez da burocracia universitária.

Dissolva as fronteiras entre as disciplinas. Se você sente que a História, a Literatura e o Cinema não deveriam ser ensinados em caixas separadas, você está em casa. Nosso foco é a zona de indistinção entre essas áreas — onde o documentário vira prova histórica e a ficção vira teoria social.

Ferramentas práticas para criadores e críticos. Para quem faz cinema ou escreve sobre ele, a formação oferece consciência histórica. Entender a "Estética da Dependência" ou a "Cosmética da Fome" muda a forma como você escreve um roteiro, edita um filme ou redige uma crítica cultural.

Um ecossistema de estudo contínuo. Ao contrário de cursos que terminam em poucas semanas, a Formação Completa é um organismo vivo. Com o formato de streaming e as atualizações mensais, você garante que seu pensamento continue sendo provocado durante todo o ano, com suporte direto para suas dúvidas e investigações.

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Rogério Mattos

Prof.º Dr.º

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Rogério Mattos

Prof.º Dr.º

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Rogério Mattos

Prof.º Dr.º

// QUEM CRIOU as aulas //

// QUEM CRIOU as aulas //


Rogério Mattos é doutor em Estudos Literários pela UFF, com formação que atravessa História, Literatura Portuguesa e História da África. Quinze anos entre sala de aula e pesquisa, ensino básico e superior, educação pública e privada.


O que o move não cabe no currículo. É esse modo de pensar que faz as disciplinas perderem o contorno. Ver Pasolini como quem interroga a cultura atravessando fronteiras. Perceber em Coutinho um dispositivo que desmonta o olhar colonizador. Reconhecer em Sganzerla o gesto que cria um terceiro sentido entre palavra e imagem. Encontrar em Bolaño a distinção entre o poeta maldito e o poeta do mal. E entender por que Beatriz Nascimento precisou escrever em linguagem de poeta quando a historiografia não tinha palavras para o que ela queria dizer.


Desde 2016, desenvolve essa prática através d'O Abertinho. Textos que circularam por Teoria e Debate, Brasil de Fato, GGN e periódicos acadêmicos. Sempre na fronteira entre rigor teórico e intervenção crítica. Sempre recusando a separação entre pensar e agir.

Rogério Mattos é doutor em Estudos Literários pela UFF, com formação que atravessa História, Literatura Portuguesa e História da África. Quinze anos entre sala de aula e pesquisa, ensino básico e superior, educação pública e privada.


O que o move não cabe no currículo. É esse modo de pensar que faz as disciplinas perderem o contorno. Ver Pasolini como quem interroga a cultura atravessando fronteiras. Perceber em Coutinho um dispositivo que desmonta o olhar colonizador. Reconhecer em Sganzerla o gesto que cria um terceiro sentido entre palavra e imagem. Encontrar em Bolaño a distinção entre o poeta maldito e o poeta do mal. E entender por que Beatriz Nascimento precisou escrever em linguagem de poeta quando a historiografia não tinha palavras para o que ela queria dizer.


Desde 2016, desenvolve essa prática através d'O Abertinho. Textos que circularam por Teoria e Debate, Brasil de Fato, GGN e periódicos acadêmicos. Sempre na fronteira entre rigor teórico e intervenção crítica. Sempre recusando a separação entre pensar e agir.


Rogério Mattos é doutor em Estudos Literários pela UFF, com formação que atravessa História, Literatura Portuguesa e História da África. Quinze anos entre sala de aula e pesquisa, ensino básico e superior, educação pública e privada.


O que o move não cabe no currículo. É esse modo de pensar que faz as disciplinas perderem o contorno. Ver Pasolini como quem interroga a cultura atravessando fronteiras. Perceber em Coutinho um dispositivo que desmonta o olhar colonizador. Reconhecer em Sganzerla o gesto que cria um terceiro sentido entre palavra e imagem. Encontrar em Bolaño a distinção entre o poeta maldito e o poeta do mal. E entender por que Beatriz Nascimento precisou escrever em linguagem de poeta quando a historiografia não tinha palavras para o que ela queria dizer.


Desde 2016, desenvolve essa prática através d'O Abertinho. Textos que circularam por Teoria e Debate, Brasil de Fato, GGN e periódicos acadêmicos. Sempre na fronteira entre rigor teórico e intervenção crítica. Sempre recusando a separação entre pensar e agir.

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