Ler contra o cânone

A construção política das "leituras obrigatórias"

por Rogério Mattos

Ler contra o cânone

A construção política das "leituras obrigatórias"

por Rogério Mattos

Ler contra o cânone

A construção política das "leituras obrigatórias"

por Rogério Mattos

A lista dos "grandes autores" se repete de uma geração para outra, as mesmas interpretações circulam nos suplementos e nas salas de aula, e uma sensação incômoda persiste: a de que toda essa repetição esconde menos uma tradição sólida do que uma incapacidade de fazer perguntas diferentes.


Edward Said formulou a pergunta que talvez organize todas as outras: não o que ler, mas o que fazer com essa leitura.


Quando se aprende a ler contrapontisticamente, o que muda não é o cardápio (trocar um autor por outro, "incluir" vozes antes excluídas), mas o modo de ler tudo. O cânone passa a exibir o que silenciou, o autor esquecido revela o que tinha de insuportável para o aparato que o apagou, e a própria história da literatura deixa de ser uma sequência natural de "grandes obras" para mostrar os interesses, os projetos políticos e os pressupostos de dominação que a organizaram.

01

A teleologia do cânone

A história da literatura, tal como nos foi ensinada, segue uma lógica de culminância onde cada período "supera" o anterior e o desenvolvimento inteiro converge, invariavelmente, para o modelo europeu. Mas questão fundamental não é negar que houve transformação na forma literária, mas perguntar por que essa transformação foi narrada como se só pudesse redundar no realismo europeu, e por que toda escrita fora desse eixo entra na história como derivação, eco tardio, variante periférica de algo que já teria acontecido no centro.


O Brasil segue a mesma lógica: o romantismo "prepara" o realismo, José de Alencar "prepara" Machado de Assis, e Machado figura como a nossa culminância, o ponto onde enfim alcançaríamos o "patamar universal." Clarice Lispector entra na história como uma espécie de Virginia Woolf tropical, Guimarães Rosa como "modernismo tardio" do chamado Terceiro Mundo. Mesmo quando esses autores são reconhecidos, a posição que lhes é reservada permanece a de eco, jamais a de voz.

02

O horizonte político que a crítica literária nunca enfrentou

Said demonstrou que o problema não está apenas nos nomes que compõem o cânone, mas na divisão dos âmbitos da cultura e da experiência em esferas aparentemente isoladas (literatura, história econômica, estudos coloniais), que é o que estruturou as próprias disciplinas encarregadas de estudar a literatura. Essa divisão é o que torna o imperialismo invisível para os saberes que deveriam examiná-lo.


"Ler Austen sem ler também Fanon e Cabral é separar a cultura moderna de suas ligações e comprometimentos".


A formulação de Said permanece provocadora porque, no Brasil, a relação entre os momentos de consagração do cânone e as conjunturas políticas que os produziram ainda é pouco investigada. Há coincidências reveladoras entre os períodos de maior efeméride dos nossos "grandes autores" e determinados projetos de Estado, e essas coincidências não costumam aparecer nem nos cursos de letras nem nos suplementos literários. O curso investiga por quê.

03

Literatura menor e as lutas minoritárias

Na virada do século XIX para o XX, quando a autoconsciência europeia começou a enxergar os limites e a doença da própria empresa imperialista, surge o que Deleuze e Guattari chamaram de literatura menor: não um gênero, não uma hierarquia de qualidade, mas uma posição, a do escritor que, situado numa língua que não é inteiramente sua, faz a língua dominante tremer por dentro. Kafka, judeu tcheco escrevendo em alemão, misturando iídiche e tcheco, criou a partir desse caldeirão uma linguagem que a esquerda da época considerou "apolítica" e que, no entanto, expunha com precisão cirúrgica o que as literaturas ditas "engajadas" mal conseguiam nomear.


O conceito de literatura menor ilumina especialmente os contextos fora do eixo norte-atlântico, onde, como Said também percebeu, o assunto privado é imediatamente público: um diário íntimo pode ser extraordinariamente político (Carolina de Jesus), uma reflexão sobre a língua da mãe preta pode inverter o signo da dominação cultural (Lélia Gonzalez e o "pretuguês"), e um conceito nascido da experiência histórica dos quilombos pode redefinir o que se entende por resistência em movimento (Beatriz Nascimento e o quilombismo). A literatura menor é menor porque está associada a lutas minoritárias, e é exatamente por isso que ela é capaz de fazer o que a "grande" literatura, protegida pelo aparato de consagração, não fez.

A lista dos "grandes autores" se repete de uma geração para outra, as mesmas interpretações circulam nos suplementos e nas salas de aula, e uma sensação incômoda persiste: a de que toda essa repetição esconde menos uma tradição sólida do que uma incapacidade de fazer perguntas diferentes.


Edward Said formulou a pergunta que talvez organize todas as outras: não o que ler, mas o que fazer com essa leitura.


Quando se aprende a ler contrapontisticamente, o que muda não é o cardápio (trocar um autor por outro, "incluir" vozes antes excluídas), mas o modo de ler tudo. O cânone passa a exibir o que silenciou, o autor esquecido revela o que tinha de insuportável para o aparato que o apagou, e a própria história da literatura deixa de ser uma sequência natural de "grandes obras" para mostrar os interesses, os projetos políticos e os pressupostos de dominação que a organizaram.

01

A teleologia do cânone

A história da literatura, tal como nos foi ensinada, segue uma lógica de culminância onde cada período "supera" o anterior e o desenvolvimento inteiro converge, invariavelmente, para o modelo europeu. Mas questão fundamental não é negar que houve transformação na forma literária, mas perguntar por que essa transformação foi narrada como se só pudesse redundar no realismo europeu, e por que toda escrita fora desse eixo entra na história como derivação, eco tardio, variante periférica de algo que já teria acontecido no centro.


O Brasil segue a mesma lógica: o romantismo "prepara" o realismo, José de Alencar "prepara" Machado de Assis, e Machado figura como a nossa culminância, o ponto onde enfim alcançaríamos o "patamar universal." Clarice Lispector entra na história como uma espécie de Virginia Woolf tropical, Guimarães Rosa como "modernismo tardio" do chamado Terceiro Mundo. Mesmo quando esses autores são reconhecidos, a posição que lhes é reservada permanece a de eco, jamais a de voz.

02

O horizonte político que a crítica literária nunca enfrentou

Said demonstrou que o problema não está apenas nos nomes que compõem o cânone, mas na divisão dos âmbitos da cultura e da experiência em esferas aparentemente isoladas (literatura, história econômica, estudos coloniais), que é o que estruturou as próprias disciplinas encarregadas de estudar a literatura. Essa divisão é o que torna o imperialismo invisível para os saberes que deveriam examiná-lo.


"Ler Austen sem ler também Fanon e Cabral é separar a cultura moderna de suas ligações e comprometimentos".


A formulação de Said permanece provocadora porque, no Brasil, a relação entre os momentos de consagração do cânone e as conjunturas políticas que os produziram ainda é pouco investigada. Há coincidências reveladoras entre os períodos de maior efeméride dos nossos "grandes autores" e determinados projetos de Estado, e essas coincidências não costumam aparecer nem nos cursos de letras nem nos suplementos literários. O curso investiga por quê.

03

Literatura menor e as lutas minoritárias

Na virada do século XIX para o XX, quando a autoconsciência europeia começou a enxergar os limites e a doença da própria empresa imperialista, surge o que Deleuze e Guattari chamaram de literatura menor: não um gênero, não uma hierarquia de qualidade, mas uma posição, a do escritor que, situado numa língua que não é inteiramente sua, faz a língua dominante tremer por dentro. Kafka, judeu tcheco escrevendo em alemão, misturando iídiche e tcheco, criou a partir desse caldeirão uma linguagem que a esquerda da época considerou "apolítica" e que, no entanto, expunha com precisão cirúrgica o que as literaturas ditas "engajadas" mal conseguiam nomear.


O conceito de literatura menor ilumina especialmente os contextos fora do eixo norte-atlântico, onde, como Said também percebeu, o assunto privado é imediatamente público: um diário íntimo pode ser extraordinariamente político (Carolina de Jesus), uma reflexão sobre a língua da mãe preta pode inverter o signo da dominação cultural (Lélia Gonzalez e o "pretuguês"), e um conceito nascido da experiência histórica dos quilombos pode redefinir o que se entende por resistência em movimento (Beatriz Nascimento e o quilombismo). A literatura menor é menor porque está associada a lutas minoritárias, e é exatamente por isso que ela é capaz de fazer o que a "grande" literatura, protegida pelo aparato de consagração, não fez.

A lista dos "grandes autores" se repete de uma geração para outra, as mesmas interpretações circulam nos suplementos e nas salas de aula, e uma sensação incômoda persiste: a de que toda essa repetição esconde menos uma tradição sólida do que uma incapacidade de fazer perguntas diferentes.


Edward Said formulou a pergunta que talvez organize todas as outras: não o que ler, mas o que fazer com essa leitura.


Quando se aprende a ler contrapontisticamente, o que muda não é o cardápio (trocar um autor por outro, "incluir" vozes antes excluídas), mas o modo de ler tudo. O cânone passa a exibir o que silenciou, o autor esquecido revela o que tinha de insuportável para o aparato que o apagou, e a própria história da literatura deixa de ser uma sequência natural de "grandes obras" para mostrar os interesses, os projetos políticos e os pressupostos de dominação que a organizaram.

01

A teleologia do cânone

A história da literatura, tal como nos foi ensinada, segue uma lógica de culminância onde cada período "supera" o anterior e o desenvolvimento inteiro converge, invariavelmente, para o modelo europeu. Mas questão fundamental não é negar que houve transformação na forma literária, mas perguntar por que essa transformação foi narrada como se só pudesse redundar no realismo europeu, e por que toda escrita fora desse eixo entra na história como derivação, eco tardio, variante periférica de algo que já teria acontecido no centro.


O Brasil segue a mesma lógica: o romantismo "prepara" o realismo, José de Alencar "prepara" Machado de Assis, e Machado figura como a nossa culminância, o ponto onde enfim alcançaríamos o "patamar universal." Clarice Lispector entra na história como uma espécie de Virginia Woolf tropical, Guimarães Rosa como "modernismo tardio" do chamado Terceiro Mundo. Mesmo quando esses autores são reconhecidos, a posição que lhes é reservada permanece a de eco, jamais a de voz.

02

O horizonte político que a crítica literária nunca enfrentou

Said demonstrou que o problema não está apenas nos nomes que compõem o cânone, mas na divisão dos âmbitos da cultura e da experiência em esferas aparentemente isoladas (literatura, história econômica, estudos coloniais), que é o que estruturou as próprias disciplinas encarregadas de estudar a literatura. Essa divisão é o que torna o imperialismo invisível para os saberes que deveriam examiná-lo.


"Ler Austen sem ler também Fanon e Cabral é separar a cultura moderna de suas ligações e comprometimentos".


A formulação de Said permanece provocadora porque, no Brasil, a relação entre os momentos de consagração do cânone e as conjunturas políticas que os produziram ainda é pouco investigada. Há coincidências reveladoras entre os períodos de maior efeméride dos nossos "grandes autores" e determinados projetos de Estado, e essas coincidências não costumam aparecer nem nos cursos de letras nem nos suplementos literários. O curso investiga por quê.

03

Literatura menor e as lutas minoritárias

Na virada do século XIX para o XX, quando a autoconsciência europeia começou a enxergar os limites e a doença da própria empresa imperialista, surge o que Deleuze e Guattari chamaram de literatura menor: não um gênero, não uma hierarquia de qualidade, mas uma posição, a do escritor que, situado numa língua que não é inteiramente sua, faz a língua dominante tremer por dentro. Kafka, judeu tcheco escrevendo em alemão, misturando iídiche e tcheco, criou a partir desse caldeirão uma linguagem que a esquerda da época considerou "apolítica" e que, no entanto, expunha com precisão cirúrgica o que as literaturas ditas "engajadas" mal conseguiam nomear.


O conceito de literatura menor ilumina especialmente os contextos fora do eixo norte-atlântico, onde, como Said também percebeu, o assunto privado é imediatamente público: um diário íntimo pode ser extraordinariamente político (Carolina de Jesus), uma reflexão sobre a língua da mãe preta pode inverter o signo da dominação cultural (Lélia Gonzalez e o "pretuguês"), e um conceito nascido da experiência histórica dos quilombos pode redefinir o que se entende por resistência em movimento (Beatriz Nascimento e o quilombismo). A literatura menor é menor porque está associada a lutas minoritárias, e é exatamente por isso que ela é capaz de fazer o que a "grande" literatura, protegida pelo aparato de consagração, não fez.

A QUESTÃO NÃO É "LER O CÂNONE"

A QUESTÃO NÃO É "LER O CÂNONE"

Você já sabe que alguma coisa não fecha na maneira como te ensinaram a ler. A lista dos "grandes autores" se repete, as mesmas interpretações circulam, e os pressupostos que determinaram quem entra e quem fica de fora continuam intocados.

Você já sabe que alguma coisa não fecha na maneira como te ensinaram a ler. A lista dos "grandes autores" se repete, as mesmas interpretações circulam, e os pressupostos que determinaram quem entra e quem fica de fora continuam intocados.

Aliados às transformações no mundo como as lutas contra as ditaduras na América do Sul, pela Libertação dos países da África, pelos direitos civis nos EUA, a formação do Brasil e o pensamento dele decorrente não poderia vingar em termos sociais caso a politização deixasse de invadir o ateliê literário.

Ninguém te ensinou a diferença entre literatura maior e literatura menor, nem como ler politicamente, questionando a lógica que estrutura as "leituras obrigatórias.

Você já sabe que alguma coisa não fecha na maneira como te ensinaram a ler. A lista dos "grandes autores" se repete, as mesmas interpretações circulam, e os pressupostos que determinaram quem entra e quem fica de fora continuam intocados.

Aliados às transformações no mundo como as lutas contra as ditaduras na América do Sul, pela Libertação dos países da África, pelos direitos civis nos EUA, a formação do Brasil e o pensamento dele decorrente não poderia vingar em termos sociais caso a politização deixasse de invadir o ateliê literário.

Ninguém te ensinou a diferença entre literatura maior e literatura menor, nem como ler politicamente, questionando a lógica que estrutura as "leituras obrigatórias.

Eu ensino essas ferramentas

ou continue lendo para entender melhor o percurso →

Eu ensino essas ferramentas

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cultura e resistência

cultura e resistência

cultura e resistência

o percurso

o percurso

Organizei esse percurso em cinco aulas fundamentais que contam a história não contada do cânone literário e as ferramentas para desmontá-lo.

Organizei esse percurso em cinco aulas fundamentais que contam a história não contada do cânone literário e as ferramentas para desmontá-lo.

aula 1


Aula 1: Sobre o "sentido" e o "fim" da história da literatura: A teleologia da história literária, a culminância europeia, o pressuposto imperialista que determina quem é canonizado e quem é esquecido.


Sobre o "sentido" e o "fim" da história da literatura: A teleologia da história literária, a culminância europeia, o pressuposto imperialista que determina quem é canonizado e quem é esquecido.

aula 2


Aula 2: Cânone – o que ler e o que fazer com essa leitura? A crítica de Edward Said aplicada às teorias que ignoram o imperialismo. Como forma e política andam juntas na consagração literária?


Cânone – o que ler e o que fazer com essa leitura? A crítica de Edward Said aplicada às teorias que ignoram o imperialismo. Como forma e política andam juntas na consagração literária?

aula 3


A ciência como dominação e os meios de resistência: O conceito de literatura menor e a passagem do privado ao público nas lutas minoritárias: quando um diário, uma língua inventada ou um conceito nascido da experiência dos quilombos se tornam formas de combate nas lutas minoritárias.

A ciência como dominação e os meios de resistência: O conceito de literatura menor e a passagem do privado ao público nas lutas minoritárias.

aula 4


O cânone brasileiro – uma leitura "maior" ou "menor": Os artífices do cânone nacional, os momentos autoritários em que as leituras "obrigatórias" foram fabricadas e os contemporâneos brilhantes que ficaram de fora.


O cânone brasileiro, uma leitura "maior" ou "menor": Os artífices do cânone nacional, os momentos autoritários em que as leituras "obrigatórias" foram fabricadas e os contemporâneos brilhantes que ficaram de fora.

aula 5


A literatura entre cultura e imperialismo:
O aparato internacional de consagração (prêmios, mídia, academia) e como a desigualdade cultural que ele produz anda junto com a desigualdade social.


A literatura entre cultura e imperialismo:
O aparato internacional de consagração (prêmios, mídia, academia) e como a desigualdade cultural que ele produz anda junto com a desigualdade social.

AULA bônus

aula 5

aula 5


"Falar não é ver":
Uma linguagem de poesia que conecta cinema, literatura e história de forma anti-canônica Três estudos de caso (Sganzerla, Bolaño, Beatriz Nascimento) onde o choque entre o que se diz e o que se vê abre uma outra maneira de ler o mundo.


"Falar não é ver":
Uma linguagem de poesia que conecta cinema, literatura e história de forma anti-canônica Três estudos de caso (Sganzerla, Bolaño, Beatriz Nascimento) onde o choque entre o que se diz e o que se vê abre uma outra maneira de ler o mundo.


"Falar não é ver":
Uma linguagem de poesia que conecta cinema, literatura e história de forma anti-canônica Três estudos de caso (Sganzerla, Bolaño, Beatriz Nascimento) onde o choque entre o que se diz e o que se vê abre uma outra maneira de ler o mundo.

AULA AO VIVO

aula 5

aula 5


"O Recado do Morro":
Uma leitura contrapontística de Guimarães Rosa, autor canônico lido contra a sua tendência natural. O que aparece quando se aplica a Guimarães Rosa as ferramentas que o cânone nunca quis usar nele.


"O Recado do Morro":
Uma leitura contrapontística de Guimarães Rosa, autor canônico lido contra a sua tendência natural. O que aparece quando se aplica a Guimarães Rosa as ferramentas que o cânone nunca quis usar nele.


"O Recado do Morro":
Uma leitura contrapontística de Guimarães Rosa, autor canônico lido contra a sua tendência natural. O que aparece quando se aplica a Guimarães Rosa as ferramentas que o cânone nunca quis usar nele.

Ler contra o cânone

A construção política das "leituras obrigatórias"

Quinze anos de sala de aula me mostraram que o problema se multiplica: professores formam professores que repetem as mesmas leituras, e a cada ciclo a distância entre o que se ensina e o que de fato importa na literatura aumenta. Este curso existe para interromper essa cadeia, com instrumentos que a universidade brasileira não oferece porque as próprias disciplinas que deveriam fornecê-los foram construídas para manter separado o que precisa ser lido junto.


Quem se inscrever até 6 de março recebe, além das cinco aulas gravadas, três bônus: o preço de R$150 (após essa data, o valor será de R$300), a aula gravada "Falar não é ver" do Cine-Poesia, e a participação ao vivo na aula "O Recado do Morro", sobre Guimarães Rosa, no dia 9 de março às 20h.

Valor da inscrição

até 6 de março

R$ 150

por R$150

divida em até 12x

Comunidade dedicada

Suporte do professor

Materiais complementares

Acesso por 3 meses

Ler contra o cânone

A construção política das "leituras obrigatórias"

Quinze anos de sala de aula me mostraram que o problema se multiplica: professores formam professores que repetem as mesmas leituras, e a cada ciclo a distância entre o que se ensina e o que de fato importa na literatura aumenta. Este curso existe para interromper essa cadeia, com instrumentos que a universidade brasileira não oferece porque as próprias disciplinas que deveriam fornecê-los foram construídas para manter separado o que precisa ser lido junto.


Quem se inscrever até 6 de março recebe, além das cinco aulas gravadas, três bônus: o preço de R$150 (após essa data, o valor será de R$300), a aula gravada "Falar não é ver" do Cine-Poesia, e a participação ao vivo na aula "O Recado do Morro", sobre Guimarães Rosa, no dia 9 de março às 20h.

Valor da inscrição

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A construção política das "leituras obrigatórias"

Quinze anos de sala de aula me mostraram que o problema se multiplica: professores formam professores que repetem as mesmas leituras, e a cada ciclo a distância entre o que se ensina e o que de fato importa na literatura aumenta. Este curso existe para interromper essa cadeia, com instrumentos que a universidade brasileira não oferece porque as próprias disciplinas que deveriam fornecê-los foram construídas para manter separado o que precisa ser lido junto.


Quem se inscrever até 6 de março recebe, além das cinco aulas gravadas, três bônus: o preço de R$150 (após essa data, o valor será de R$300), a aula gravada "Falar não é ver" do Cine-Poesia, e a participação ao vivo na aula "O Recado do Morro", sobre Guimarães Rosa, no dia 9 de março às 20h.

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Rogério Mattos

Prof.º Dr.º

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Rogério Mattos

Prof.º Dr.º

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// QUEM CRIOU as aulas //

// QUEM CRIOU as aulas //



Rogério Mattos é doutor em Estudos Literários pela UFF, com mestrado em Literatura Portuguesa pela UERJ e especialização em História da África. Professor há quinze anos entre escola pública e universidade, formou professores que hoje enfrentam em sala de aula os mesmos problemas que este curso diagnostica.


Sua formação cruza história, literatura e África por uma recusa deliberada às separações disciplinares que Said denunciou como mecanismo de dominação. Pesquisador em patrimônio e historiografia na UNIRIO, publica crítica cultural pel'O Abertinho (Substack, Instagram, YouTube) e assina textos em Teoria e Debate, Brasil de Fato e GGN, sempre na fronteira entre análise e intervenção.


Criou o Cine-Poesia como laboratório de leitura contrapontística, o lugar onde cinema, literatura e história se encontram para forçar o pensamento pelo choque entre o que se diz e o que se vê, entre o que o cânone consagrou e o que ele soterrou. Este curso é a base teórica desse trabalho.



Rogério Mattos é doutor em Estudos Literários pela UFF e professor com quinze anos de experiência atravessando o ensino básico e superior, a educação pública e privada. Sua formação híbrida – História (UERJ), Literatura Portuguesa (mestrado/UERJ), História da África e do negro no Brasil (especialização/UCAM) – reflete uma recusa deliberada às fronteiras disciplinares que empobreceram o pensamento brasileiro.


Desde 2016, desenvolve através d'O Abertinho uma prática ensaística que desafia a separação entre rigor acadêmico e engajamento político. Seus textos circularam por publicações como Teoria e Debate, Brasil de Fato, GGN e diversos periódicos acadêmicos – sempre na fronteira entre a análise cultural e a intervenção crítica.


Sua abordagem articula teoria literária, análise histórica e crítica da cultura para desvendar os mecanismos de despolitização que estruturam o Brasil contemporâneo. Não por acaso: entende que a destruição da imaginação política brasileira passa necessariamente pela fragmentação dos saberes e pela tecnicização do debate público.


Neste curso, mobiliza décadas de pesquisa sobre as transformações da cultura política brasileira – de Dias Gomes a Conceição Tavares, do grotesco televisivo ao consenso neoliberal – para revelar como fomos ensinados a não pensar alternativas.



Rogério Mattos é doutor em Estudos Literários pela UFF e professor com quinze anos de experiência atravessando o ensino básico e superior, a educação pública e privada. Sua formação híbrida – História (UERJ), Literatura Portuguesa (mestrado/UERJ), História da África e do negro no Brasil (especialização/UCAM) – reflete uma recusa deliberada às fronteiras disciplinares que empobreceram o pensamento brasileiro.


Desde 2016, desenvolve através d'O Abertinho uma prática ensaística que desafia a separação entre rigor acadêmico e engajamento político. Seus textos circularam por publicações como Teoria e Debate, Brasil de Fato, GGN e diversos periódicos acadêmicos – sempre na fronteira entre a análise cultural e a intervenção crítica.


Sua abordagem articula teoria literária, análise histórica e crítica da cultura para desvendar os mecanismos de despolitização que estruturam o Brasil contemporâneo. Não por acaso: entende que a destruição da imaginação política brasileira passa necessariamente pela fragmentação dos saberes e pela tecnicização do debate público.


Neste curso, mobiliza décadas de pesquisa sobre as transformações da cultura política brasileira – de Dias Gomes a Conceição Tavares, do grotesco televisivo ao consenso neoliberal – para revelar como fomos ensinados a não pensar alternativas.

Inscrições até 6 de março

Comece a ler contra a tendência natural do cânone.

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