


A máquina que nos forma é a mesma que nos impede de pensar
No imediato pós-guerra, Pasolini entendeu que o neocapitalismo não opera por repressão explícita, mas pela homogeneização das consciências. O fascismo histórico impunha modelos pela violência — por isso as culturas locais podiam resistir. Havia um inimigo visível.
A sociedade de consumo é mais eficaz. Não precisa proibir — seduz. Você pode escolher entre mil produtos, desde que todos sejam mercadorias. Pode ter identidade cultural, desde que se expresse através do consumo. Pode até ser crítico, desde que sua crítica circule como conteúdo que alimenta o mesmo sistema.
"A abjuração está consumada", disse Pasolini em 1975. O próprio desejo de ser diferente foi capturado. Acumulamos capital cultural — lemos os livros certos, vemos os filmes certos, citamos os autores certos — mas essa acumulação não nos torna livres. Nos torna consumidores sofisticados.
E aqui está o ponto que se tornou ainda mais agudo cinquenta anos depois: a máquina não apenas homogeneíza gostos. Ela impede que pensemos.
01
Como a máquina opera

A máquina antropológica opera através de separações incessantes. Separa disciplinas, posições, campos. Cada separação produz sujeitos assujeitados — capturados por identidades, funções, narrativas que os constituem e simultaneamente bloqueiam.
Quando você é assujeitado, por exemplo, como "historiador", a disciplina define de antemão o que conta como pensamento legítimo. Você acumula conhecimento dentro de molduras que restringem o pensável. Domina repertório, mas não produz pensamento próprio — comenta, interpreta, aplica teorias validadas.
Quando você é assujeitado como "consumidor culto", sua função é circular mercadorias culturais. Vai aos filmes certos, demonstra erudição. Valida cânones, reproduz distinções. A máquina funciona perfeitamente.
As narrativas são operadores centrais. A Bildung narra o sujeito que se cultiva através da cultura, legitimando hierarquias e transformando cultura em capital. A jornada do herói produz consumidores de "transformação" como mercadoria. As disciplinas acadêmicas produzem especialistas que não podem pensar fora de seus campos.
02
A posição corsária

O corsário, na história mediterrânea, não era pirata nem marinheiro oficial. Operava numa zona intermediária — tinha autorização, mas não fidelidade permanente. Podia mudar de bandeira ou desaparecer quando conveniente.
Quando Pasolini se apropria dessa imagem, identifica uma estrutura de posição: o intelectual que não serve organicamente a nenhum poder (Estado, partido, corporação, disciplina), mas tampouco opera em marginalidade absoluta. Navega entre campos sem se fixar em nenhum.
Não é a liberdade romântica. É uma exposição calculada ao risco: transitar sem fidelidade permanente significa não ter proteção permanente. Mas cria algo específico — a capacidade de ver o que cada campo isolado não vê. De identificar as capturas que bloqueiam o pensamento. De atacar as narrativas que naturalizam o inaceitável.
03
As três operações

A navegação corsária se realiza através de três operações articuladas:
Atacar narrativas dominantes. Não denunciar moralmente, mas mostrar como funcionam — como produzem sujeitos, legitimam poderes, bloqueiam possibilidades. Glauber Rocha, na "Estética da Fome", não disse que o "cinema comercial é ruim", mas mostrou operações específicas de cada narrativa que mascaram a miséria.
Tornar inoperosas as separações. Não "juntar" disciplinas, mas desativar as distinções que bloqueiam. Quando Coutinho mistura mulheres "reais" e atrizes em "Jogo de Cena" sem revelar quem é quem, torna inoperosa a distinção documento/ficção. A zona de indistinção permite ver que todo testemunho já é fabulação de si.
Fabular é criar usos inesperados. Deleuze inverteu Bergson: fabular não é estabilizar o existente, é inventar o povo que falta. Hartman, historiadora, fabula vidas de mulheres escravizadas sobre as quais não há arquivo. Não como ficção livre, mas como método rigoroso que inventa onde o arquivo colonial silenciou.
04
Por que isso importa agora?
Cinquenta anos depois de Pasolini, a homogeneização se aprofundou. Os algoritmos não censuram conteúdo crítico — enterram-no sob distração infinita. E a proliferação de "cursos culturais" criou uma nova captura: você pode acumular referências sofisticadas sem jamais desenvolver capacidade crítica própria.
A diferença é estrutural: consumo cultural acumula informação dentro de molduras validadas. Operação crítica torna inoperosas as molduras que bloqueiam pensamento.
E essas operações não se aprendem lendo sobre elas. Só se desenvolvem praticando. Isso exige tempo longo, mediação intelectual, prática coletiva — coisas que o mercado de conteúdos não oferece.
05
A prática corsária
O Cine-Poesia é um grupo de estudos avançados onde se pratica navegação corsária através de três eixos integrados: literatura, cinema brasileiro, historiografia.
Por que esses três? Porque todos enfrentam o mesmo problema — como narrar quando não se pode mais narrar? — e esse problema compartilhado torna inoperosas as fronteiras disciplinares.
No eixo literário, você analisa como narrativas assujeitam, como fazer línguas gaguejarem, como criar uma literatura menor. No eixo cinematográfico, experimenta como o cinema brasileiro documenta e fabula simultaneamente. No eixo historiográfico, vê como história é narrativa, como novas abordagens desmontam narrativas dominantes, como fabular onde arquivo silenciou.
O método são ataques, desativações, fabulações. Sempre entre pares — cada pessoa traz suas inquietações, as conexões que percebeu, algo que incomodou. A comunidade co-cria a partir disso. O que importa não é dominar todo arquivo, mas desenvolver capacidade de operar.
A máquina que nos forma é a mesma que nos impede de pensar
No imediato pós-guerra, Pasolini entendeu que o neocapitalismo não opera por repressão explícita, mas pela homogeneização das consciências. O fascismo histórico impunha modelos pela violência — por isso as culturas locais podiam resistir. Havia um inimigo visível.
A sociedade de consumo é mais eficaz. Não precisa proibir — seduz. Você pode escolher entre mil produtos, desde que todos sejam mercadorias. Pode ter identidade cultural, desde que se expresse através do consumo. Pode até ser crítico, desde que sua crítica circule como conteúdo que alimenta o mesmo sistema.
"A abjuração está consumada", disse Pasolini em 1975. O próprio desejo de ser diferente foi capturado. Acumulamos capital cultural — lemos os livros certos, vemos os filmes certos, citamos os autores certos — mas essa acumulação não nos torna livres. Nos torna consumidores sofisticados.
E aqui está o ponto que se tornou ainda mais agudo cinquenta anos depois: a máquina não apenas homogeneíza gostos. Ela impede que pensemos.
01
Como a máquina opera

A máquina antropológica opera através de separações incessantes. Separa disciplinas, posições, campos. Cada separação produz sujeitos assujeitados — capturados por identidades, funções, narrativas que os constituem e simultaneamente bloqueiam.
Quando você é assujeitado, por exemplo, como "historiador", a disciplina define de antemão o que conta como pensamento legítimo. Você acumula conhecimento dentro de molduras que restringem o pensável. Domina repertório, mas não produz pensamento próprio — comenta, interpreta, aplica teorias validadas.
Quando você é assujeitado como "consumidor culto", sua função é circular mercadorias culturais. Vai aos filmes certos, demonstra erudição. Valida cânones, reproduz distinções. A máquina funciona perfeitamente.
As narrativas são operadores centrais. A Bildung narra o sujeito que se cultiva através da cultura, legitimando hierarquias e transformando cultura em capital. A jornada do herói produz consumidores de "transformação" como mercadoria. As disciplinas acadêmicas produzem especialistas que não podem pensar fora de seus campos.
02
A posição corsária

O corsário, na história mediterrânea, não era pirata nem marinheiro oficial. Operava numa zona intermediária — tinha autorização, mas não fidelidade permanente. Podia mudar de bandeira ou desaparecer quando conveniente.
Quando Pasolini se apropria dessa imagem, identifica uma estrutura de posição: o intelectual que não serve organicamente a nenhum poder (Estado, partido, corporação, disciplina), mas tampouco opera em marginalidade absoluta. Navega entre campos sem se fixar em nenhum.
Não é a liberdade romântica. É uma exposição calculada ao risco: transitar sem fidelidade permanente significa não ter proteção permanente. Mas cria algo específico — a capacidade de ver o que cada campo isolado não vê. De identificar as capturas que bloqueiam o pensamento. De atacar as narrativas que naturalizam o inaceitável.
03
As três operações

A navegação corsária se realiza através de três operações articuladas:
Atacar narrativas dominantes. Não denunciar moralmente, mas mostrar como funcionam — como produzem sujeitos, legitimam poderes, bloqueiam possibilidades. Glauber Rocha, na "Estética da Fome", não disse que o "cinema comercial é ruim", mas mostrou operações específicas de cada narrativa que mascaram a miséria.
Tornar inoperosas as separações. Não "juntar" disciplinas, mas desativar as distinções que bloqueiam. Quando Coutinho mistura mulheres "reais" e atrizes em "Jogo de Cena" sem revelar quem é quem, torna inoperosa a distinção documento/ficção. A zona de indistinção permite ver que todo testemunho já é fabulação de si.
Fabular é criar usos inesperados. Deleuze inverteu Bergson: fabular não é estabilizar o existente, é inventar o povo que falta. Hartman, historiadora, fabula vidas de mulheres escravizadas sobre as quais não há arquivo. Não como ficção livre, mas como método rigoroso que inventa onde o arquivo colonial silenciou.
04
Por que isso importa agora?
Cinquenta anos depois de Pasolini, a homogeneização se aprofundou. Os algoritmos não censuram conteúdo crítico — enterram-no sob distração infinita. E a proliferação de "cursos culturais" criou uma nova captura: você pode acumular referências sofisticadas sem jamais desenvolver capacidade crítica própria.
A diferença é estrutural: consumo cultural acumula informação dentro de molduras validadas. Operação crítica torna inoperosas as molduras que bloqueiam pensamento.
E essas operações não se aprendem lendo sobre elas. Só se desenvolvem praticando. Isso exige tempo longo, mediação intelectual, prática coletiva — coisas que o mercado de conteúdos não oferece.
05
A prática corsária
O Cine-Poesia é um grupo de estudos avançados onde se pratica navegação corsária através de três eixos integrados: literatura, cinema brasileiro, historiografia.
Por que esses três? Porque todos enfrentam o mesmo problema — como narrar quando não se pode mais narrar? — e esse problema compartilhado torna inoperosas as fronteiras disciplinares.
No eixo literário, você analisa como narrativas assujeitam, como fazer línguas gaguejarem, como criar uma literatura menor. No eixo cinematográfico, experimenta como o cinema brasileiro documenta e fabula simultaneamente. No eixo historiográfico, vê como história é narrativa, como novas abordagens desmontam narrativas dominantes, como fabular onde arquivo silenciou.
O método são ataques, desativações, fabulações. Sempre entre pares — cada pessoa traz suas inquietações, as conexões que percebeu, algo que incomodou. A comunidade co-cria a partir disso. O que importa não é dominar todo arquivo, mas desenvolver capacidade de operar.
A máquina que nos forma é a mesma que nos impede de pensar
No imediato pós-guerra, Pasolini entendeu que o neocapitalismo não opera por repressão explícita, mas pela homogeneização das consciências. O fascismo histórico impunha modelos pela violência — por isso as culturas locais podiam resistir. Havia um inimigo visível.
A sociedade de consumo é mais eficaz. Não precisa proibir — seduz. Você pode escolher entre mil produtos, desde que todos sejam mercadorias. Pode ter identidade cultural, desde que se expresse através do consumo. Pode até ser crítico, desde que sua crítica circule como conteúdo que alimenta o mesmo sistema.
"A abjuração está consumada", disse Pasolini em 1975. O próprio desejo de ser diferente foi capturado. Acumulamos capital cultural — lemos os livros certos, vemos os filmes certos, citamos os autores certos — mas essa acumulação não nos torna livres. Nos torna consumidores sofisticados.
E aqui está o ponto que se tornou ainda mais agudo cinquenta anos depois: a máquina não apenas homogeneíza gostos. Ela impede que pensemos.
01
Como a máquina opera

A máquina antropológica opera através de separações incessantes. Separa disciplinas, posições, campos. Cada separação produz sujeitos assujeitados — capturados por identidades, funções, narrativas que os constituem e simultaneamente bloqueiam.
Quando você é assujeitado, por exemplo, como "historiador", a disciplina define de antemão o que conta como pensamento legítimo. Você acumula conhecimento dentro de molduras que restringem o pensável. Domina repertório, mas não produz pensamento próprio — comenta, interpreta, aplica teorias validadas.
Quando você é assujeitado como "consumidor culto", sua função é circular mercadorias culturais. Vai aos filmes certos, demonstra erudição. Valida cânones, reproduz distinções. A máquina funciona perfeitamente.
As narrativas são operadores centrais. A Bildung narra o sujeito que se cultiva através da cultura, legitimando hierarquias e transformando cultura em capital. A jornada do herói produz consumidores de "transformação" como mercadoria. As disciplinas acadêmicas produzem especialistas que não podem pensar fora de seus campos.
02
A posição corsária

O corsário, na história mediterrânea, não era pirata nem marinheiro oficial. Operava numa zona intermediária — tinha autorização, mas não fidelidade permanente. Podia mudar de bandeira ou desaparecer quando conveniente.
Quando Pasolini se apropria dessa imagem, identifica uma estrutura de posição: o intelectual que não serve organicamente a nenhum poder (Estado, partido, corporação, disciplina), mas tampouco opera em marginalidade absoluta. Navega entre campos sem se fixar em nenhum.
Não é a liberdade romântica. É uma exposição calculada ao risco: transitar sem fidelidade permanente significa não ter proteção permanente. Mas cria algo específico — a capacidade de ver o que cada campo isolado não vê. De identificar as capturas que bloqueiam o pensamento. De atacar as narrativas que naturalizam o inaceitável.
03
As três operações

A navegação corsária se realiza através de três operações articuladas:
Atacar narrativas dominantes. Não denunciar moralmente, mas mostrar como funcionam — como produzem sujeitos, legitimam poderes, bloqueiam possibilidades. Glauber Rocha, na "Estética da Fome", não disse que o "cinema comercial é ruim", mas mostrou operações específicas de cada narrativa que mascaram a miséria.
Tornar inoperosas as separações. Não "juntar" disciplinas, mas desativar as distinções que bloqueiam. Quando Coutinho mistura mulheres "reais" e atrizes em "Jogo de Cena" sem revelar quem é quem, torna inoperosa a distinção documento/ficção. A zona de indistinção permite ver que todo testemunho já é fabulação de si.
Fabular é criar usos inesperados. Deleuze inverteu Bergson: fabular não é estabilizar o existente, é inventar o povo que falta. Hartman, historiadora, fabula vidas de mulheres escravizadas sobre as quais não há arquivo. Não como ficção livre, mas como método rigoroso que inventa onde o arquivo colonial silenciou.
04
Por que isso importa agora?
Cinquenta anos depois de Pasolini, a homogeneização se aprofundou. Os algoritmos não censuram conteúdo crítico — enterram-no sob distração infinita. E a proliferação de "cursos culturais" criou uma nova captura: você pode acumular referências sofisticadas sem jamais desenvolver capacidade crítica própria.
A diferença é estrutural: consumo cultural acumula informação dentro de molduras validadas. Operação crítica torna inoperosas as molduras que bloqueiam pensamento.
E essas operações não se aprendem lendo sobre elas. Só se desenvolvem praticando. Isso exige tempo longo, mediação intelectual, prática coletiva — coisas que o mercado de conteúdos não oferece.
05
A prática corsária
O Cine-Poesia é um grupo de estudos avançados onde se pratica navegação corsária através de três eixos integrados: literatura, cinema brasileiro, historiografia.
Por que esses três? Porque todos enfrentam o mesmo problema — como narrar quando não se pode mais narrar? — e esse problema compartilhado torna inoperosas as fronteiras disciplinares.
No eixo literário, você analisa como narrativas assujeitam, como fazer línguas gaguejarem, como criar uma literatura menor. No eixo cinematográfico, experimenta como o cinema brasileiro documenta e fabula simultaneamente. No eixo historiográfico, vê como história é narrativa, como novas abordagens desmontam narrativas dominantes, como fabular onde arquivo silenciou.
O método são ataques, desativações, fabulações. Sempre entre pares — cada pessoa traz suas inquietações, as conexões que percebeu, algo que incomodou. A comunidade co-cria a partir disso. O que importa não é dominar todo arquivo, mas desenvolver capacidade de operar.
operar criticamente
não apenas consumir
operar criticamente
não apenas consumir
operar criticamente
não apenas consumir
o percurso
o percurso
o percurso
O Cine-Poesia trabalha através de três eixos que criam zonas de indistinção:
O Cine-Poesia trabalha através de três eixos que criam zonas de indistinção:
1. O Percurso do Narrador
1. O Percurso do Narrador
1. O Percurso do Narrador
Como narrativas funcionam para colonizar e como a linguagem de poesia é a fuga necessária. Como criar uma literatura menor que desestabiliza consensos. De Benjamin e Pasolini a Silviano Santiago e Guimarães Rosa.
Como narrativas funcionam para colonizar e como a linguagem de poesia é a fuga necessária. Como criar uma literatura menor que desestabiliza consensos. De Benjamin e Pasolini a Silviano Santiago e Guimarães Rosa.
2. A Narrativa Documental Brasileira
2. A Narrativa Documental Brasileira
2. A Narrativa Documental Brasileira
Como cinema brasileiro documenta e fabula simultaneamente. Como imagens pensam em vez de apenas representar. Como tornar inoperosa a distinção ficção/documentário.
De Glauber Rocha a Eduardo Coutinho, e ao cinema contemporâneo.
Como cinema brasileiro documenta e fabula simultaneamente. Como imagens pensam em vez de apenas representar. Como tornar inoperosa a distinção ficção/documentário.
De Glauber Rocha a Eduardo Coutinho, e ao cinema contemporâneo.
Narrativas do Passado
crítica e memória
memória e crítica
Como história é narrativa que organiza passado de certas formas e não de outras. Como novas abordagens desmontam narrativas dominantes. Como fabular onde arquivo silenciou.
De Koselleck a Saidiya Hartman, da historiografia ao patrimônio nacional.
Como história é narrativa que organiza passado de certas formas e não de outras. Como novas abordagens desmontam narrativas dominantes. Como fabular onde arquivo silenciou.
De Koselleck a Saidiya Hartman, da historiografia ao patrimônio nacional.
O novo poder burguês, de fato, requer dos consumidores um espírito totalmente pragmático e hedonista: só num universo tecnicista e puramente terreno o ciclo da produção e do consumo pode se realizar segundo sua própria natureza.
Pasolini, "Escritos corsários"
O novo poder burguês, de fato, requer dos consumidores um espírito totalmente pragmático e hedonista: só num universo tecnicista e puramente terreno o ciclo da produção e do consumo pode se realizar segundo sua própria natureza.
Pasolini, "Escritos corsários"
O novo poder burguês, de fato, requer dos consumidores um espírito totalmente pragmático e hedonista: só num universo tecnicista e puramente terreno o ciclo da produção e do consumo pode se realizar segundo sua própria natureza.
Pasolini, "Escritos corsários"
Para quem é o Cine-Poesia
Para quem é o Cine-Poesia?
Para quem tem inquietação genuína sobre o papel do intelectual na formação da cultura.
Para quem consome cultura mas sente que falta capacidade de operar criticamente. Não mais informação, mas modos de pensar.
Para quem já tentou outras formações — cursos livres que ficaram na superfície, grupos de estudo que se dissolveram, leituras solitárias que não levaram a lugar nenhum — e reconhece que precisa de percurso estruturado com mediação intelectual.
O Cine-Poesia é um arquivo vivo, sempre em movimento, com módulos interdependentes. Você pode participar dos encontros quinzenais ao vivo ou acompanhar pelas gravações — o importante não é o formato, mas a disposição para habitar esse arquivo por tempo real. Há amplo espaço para experimentação: propor temas, trazer inquietações, criar conexões inesperadas entre os eixos.
Mas isso exige duas coisas não negociáveis: decisão financeira comprometida — não é compra por impulso ou curiosidade passageira — e ousadia intelectual para operar fora dos protocolos validados.
Para quem busca comunidade de desejo partilhado: não acumular repertório, mas desenvolver capacidade de pensamento próprio, de operação crítica na cultura. Como prática que se habita ao longo de um ano, não mercadoria fácil que se consome.
Aulas gravadas e/ou ao vivo
Materiais em PDF, filmes, resumos, textos de apoio
Assista no seu tempo
Acompanhamento contínuo do professor
Estudo aprofundado e personalizado




Rogério Mattos
Prof.º Dr.º

Rogério Mattos
Prof.º Dr.º

Rogério Mattos
Prof.º Dr.º
// QUEM CRIOU O GRUPO //
// QUEM CRIOU O GRUPO //
Doutor em Estudos Literários pela UFF, com formação em História (UERJ) e mestrado em Literatura Portuguesa (UERJ). Atualmente pesquisa historiografia e patrimônio histórico na UNIRIO.
Há quinze anos transita entre sala de aula e mídias digitais, entre periódicos acadêmicos e portais como GGN e Brasil de Fato. Sua formação híbrida não é acidental — é método. História ensinou a ler rupturas e permanências. Literatura revelou como narrativas constituem o real. Cinema mostrou territórios de sobrevivência onde linguagem gagueja. O patrimônio forçou a ver o que arquivo textual recalca.
Opera entre academia e margens, entre arquivo histórico e audiovisual contemporâneo, entre teoria crítica e patrimônio vivo. Criando zonas de pensamento onde disciplinas se contaminam, consensos são questionados, sobrevivências são vistas.
Rogério Mattos é doutor em Estudos Literários pela UFF e professor com quinze anos de experiência atravessando o ensino básico e superior, a educação pública e privada. Sua formação híbrida – História (UERJ), Literatura Portuguesa (mestrado/UERJ), História da África e do negro no Brasil (especialização/UCAM) – reflete uma recusa deliberada às fronteiras disciplinares que empobreceram o pensamento brasileiro.
Desde 2016, desenvolve através d'O Abertinho uma prática ensaística que desafia a separação entre rigor acadêmico e engajamento político. Seus textos circularam por publicações como Teoria e Debate, Brasil de Fato, GGN e diversos periódicos acadêmicos – sempre na fronteira entre a análise cultural e a intervenção crítica.
Sua abordagem articula teoria literária, análise histórica e crítica da cultura para desvendar os mecanismos de despolitização que estruturam o Brasil contemporâneo. Não por acaso: entende que a destruição da imaginação política brasileira passa necessariamente pela fragmentação dos saberes e pela tecnicização do debate público.
Neste curso, mobiliza décadas de pesquisa sobre as transformações da cultura política brasileira – de Dias Gomes a Conceição Tavares, do grotesco televisivo ao consenso neoliberal – para revelar como fomos ensinados a não pensar alternativas.
Rogério Mattos é doutor em Estudos Literários pela UFF e professor com quinze anos de experiência atravessando o ensino básico e superior, a educação pública e privada. Sua formação híbrida – História (UERJ), Literatura Portuguesa (mestrado/UERJ), História da África e do negro no Brasil (especialização/UCAM) – reflete uma recusa deliberada às fronteiras disciplinares que empobreceram o pensamento brasileiro.
Desde 2016, desenvolve através d'O Abertinho uma prática ensaística que desafia a separação entre rigor acadêmico e engajamento político. Seus textos circularam por publicações como Teoria e Debate, Brasil de Fato, GGN e diversos periódicos acadêmicos – sempre na fronteira entre a análise cultural e a intervenção crítica.
Sua abordagem articula teoria literária, análise histórica e crítica da cultura para desvendar os mecanismos de despolitização que estruturam o Brasil contemporâneo. Não por acaso: entende que a destruição da imaginação política brasileira passa necessariamente pela fragmentação dos saberes e pela tecnicização do debate público.
Neste curso, mobiliza décadas de pesquisa sobre as transformações da cultura política brasileira – de Dias Gomes a Conceição Tavares, do grotesco televisivo ao consenso neoliberal – para revelar como fomos ensinados a não pensar alternativas.
Não perca tempo!
Inicie seus estudos sobre cultura política através de uma abordagem única
Não perca tempo!
Inicie seus estudos sobre cultura política através de uma abordagem única
Não perca tempo!
Inicie seus estudos sobre cultura política através de uma abordagem única