Glauber x Schwarz

Uma denúncia que jamais recebeu resposta

Glauber x Schwarz

Uma denúncia que jamais recebeu resposta

Glauber x Schwarz

Uma denúncia que jamais recebeu resposta

Você provavelmente já sentiu isso, mesmo sem dar esse nome. Aquela sensação de que, quando o assunto é o Brasil, alguma coisa não fecha. O país que não funciona. As instituições que não pegam. As ideias que não cabem. Você ouve que o problema é estrutural, que somos atrasados, que copiamos mal o modelo europeu, e algo em você intui que tem um problema nessa conversa, mas não consegue nomear qual é.


Nelson Rodrigues nomeou. Em 1958, véspera da Copa da Suécia, cunhou a expressão que todo mundo conhece: complexo de vira-lata. A inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, diante do resto do mundo. Escreveu sobre futebol, mas sabia que o problema não era de futebol. Era de um país que ganiu de humildade diante do quadro inglês, louro e sardento, quando era superior ao adversário.


O que o Nelson não viveu para ver é que a crítica cultural mais influente das décadas seguintes transformou esse ganido em sistema teórico. Roberto Schwarz, o crítico mais citado nas humanidades brasileiras, construiu um edifício inteiro sobre a premissa de que o Brasil imita mal a Europa, de que as ideias chegam aqui "fora do lugar", de que a modernidade é uma promessa que nunca se cumpre entre nós. É o vira-latismo com notas de rodapé. E se o modelo contra o qual Schwarz mede o Brasil nunca tiver sido verdadeiro?

01

A denúncia

Em 1978, Glauber Rocha fez uma acusação que até hoje não recebeu resposta: a suposta "patrulha ideológica" que a imprensa atribuía aos comunistas era na verdade do CEBRAP, o centro de pesquisa que Schwarz inaugurou com seu texto programático e que FHC dirigiu antes de virar presidente. Glauber não estava gritando à toa (e gritava, ninguém nega). Estava apontando quem fabricava consenso nas humanidades brasileiras e com que dinheiro. Fundação Ford, Rockefeller, liberalismo americano de matriz kennediana. A teoria não virou governo por acaso. Saiu do mesmo endereço.

02

O silêncio

Schwarz cita Glauber em vários livros, sempre de passagem, sem nunca analisar um filme. Glauber citou Schwarz várias vezes no final dos anos setenta, inclusive respondeu na Veja ao artigo que Schwarz publicara na Tempos Modernos de Sartre. Enquanto Glauber viveu, Schwarz não respondeu.


A oposição mais produtiva da vida intelectual brasileira do segundo pós-guerra ficou soterrada sob décadas de hostilidade corporativa e silêncio acadêmico. Desenterrá-la é trabalho de arqueologia histórica, e é o que esta aula faz."

03

Duas tradições

Glauber é o signo de um tipo de intelectual que o Brasil produziu e que a tradição schwarziana precisou desqualificar para existir. O intelectual que erra, se contradiz, grita, faz filmes impossíveis, apoia o que não deveria, mas age, propõe, constrói torto porque construir torto é melhor do que não construir nada.


Não é só Glauber, mas uma tradição que vai de Oswald de Andrade a Darcy Ribeiro, de Celso Furtado a Paulo Freire, de quem apostou numa via brasileira mesmo sabendo que podia dar errado. Schwarz representa o contrário: a tradição que transformou a lucidez em paralisia, e a paralisia em critério de verdade. Qual dessas posições de fato pensou o Brasil, e qual apenas o mediu contra um modelo que nunca existiu?

Você provavelmente já sentiu isso, mesmo sem dar esse nome. Aquela sensação de que, quando o assunto é o Brasil, alguma coisa não fecha. O país que não funciona. As instituições que não pegam. As ideias que não cabem. Você ouve que o problema é estrutural, que somos atrasados, que copiamos mal o modelo europeu, e algo em você intui que tem um problema nessa conversa, mas não consegue nomear qual é.


Nelson Rodrigues nomeou. Em 1958, véspera da Copa da Suécia, cunhou a expressão que todo mundo conhece: complexo de vira-lata. A inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, diante do resto do mundo. Escreveu sobre futebol, mas sabia que o problema não era de futebol. Era de um país que ganiu de humildade diante do quadro inglês, louro e sardento, quando era superior ao adversário.


O que o Nelson não viveu para ver é que a crítica cultural mais influente das décadas seguintes transformou esse ganido em sistema teórico. Roberto Schwarz, o crítico mais citado nas humanidades brasileiras, construiu um edifício inteiro sobre a premissa de que o Brasil imita mal a Europa, de que as ideias chegam aqui "fora do lugar", de que a modernidade é uma promessa que nunca se cumpre entre nós. É o vira-latismo com notas de rodapé. E se o modelo contra o qual Schwarz mede o Brasil nunca tiver sido verdadeiro?

01

A denúncia

Em 1978, Glauber Rocha fez uma acusação que até hoje não recebeu resposta: a suposta "patrulha ideológica" que a imprensa atribuía aos comunistas era na verdade do CEBRAP, o centro de pesquisa que Schwarz inaugurou com seu texto programático e que FHC dirigiu antes de virar presidente. Glauber não estava gritando à toa (e gritava, ninguém nega). Estava apontando quem fabricava consenso nas humanidades brasileiras e com que dinheiro. Fundação Ford, Rockefeller, liberalismo americano de matriz kennediana. A teoria não virou governo por acaso. Saiu do mesmo endereço.

02

O silêncio

Schwarz cita Glauber em vários livros, sempre de passagem, sem nunca analisar um filme. Glauber citou Schwarz várias vezes no final dos anos setenta, inclusive respondeu na Veja ao artigo que Schwarz publicara na Tempos Modernos de Sartre. Enquanto Glauber viveu, Schwarz não respondeu.


A oposição mais produtiva da vida intelectual brasileira do segundo pós-guerra ficou soterrada sob décadas de hostilidade corporativa e silêncio acadêmico. Desenterrá-la é trabalho de arqueologia histórica, e é o que esta aula faz."

03

Duas tradições

Glauber é o signo de um tipo de intelectual que o Brasil produziu e que a tradição schwarziana precisou desqualificar para existir. O intelectual que erra, se contradiz, grita, faz filmes impossíveis, apoia o que não deveria, mas age, propõe, constrói torto porque construir torto é melhor do que não construir nada.


Não é só Glauber, mas uma tradição que vai de Oswald de Andrade a Darcy Ribeiro, de Celso Furtado a Paulo Freire, de quem apostou numa via brasileira mesmo sabendo que podia dar errado. Schwarz representa o contrário: a tradição que transformou a lucidez em paralisia, e a paralisia em critério de verdade. Qual dessas posições de fato pensou o Brasil, e qual apenas o mediu contra um modelo que nunca existiu?

Você provavelmente já sentiu isso, mesmo sem dar esse nome. Aquela sensação de que, quando o assunto é o Brasil, alguma coisa não fecha. O país que não funciona. As instituições que não pegam. As ideias que não cabem. Você ouve que o problema é estrutural, que somos atrasados, que copiamos mal o modelo europeu, e algo em você intui que tem um problema nessa conversa, mas não consegue nomear qual é.


Nelson Rodrigues nomeou. Em 1958, véspera da Copa da Suécia, cunhou a expressão que todo mundo conhece: complexo de vira-lata. A inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, diante do resto do mundo. Escreveu sobre futebol, mas sabia que o problema não era de futebol. Era de um país que ganiu de humildade diante do quadro inglês, louro e sardento, quando era superior ao adversário.


O que o Nelson não viveu para ver é que a crítica cultural mais influente das décadas seguintes transformou esse ganido em sistema teórico. Roberto Schwarz, o crítico mais citado nas humanidades brasileiras, construiu um edifício inteiro sobre a premissa de que o Brasil imita mal a Europa, de que as ideias chegam aqui "fora do lugar", de que a modernidade é uma promessa que nunca se cumpre entre nós. É o vira-latismo com notas de rodapé. E se o modelo contra o qual Schwarz mede o Brasil nunca tiver sido verdadeiro?

01

A denúncia

Em 1978, Glauber Rocha fez uma acusação que até hoje não recebeu resposta: a suposta "patrulha ideológica" que a imprensa atribuía aos comunistas era na verdade do CEBRAP, o centro de pesquisa que Schwarz inaugurou com seu texto programático e que FHC dirigiu antes de virar presidente. Glauber não estava gritando à toa (e gritava, ninguém nega). Estava apontando quem fabricava consenso nas humanidades brasileiras e com que dinheiro. Fundação Ford, Rockefeller, liberalismo americano de matriz kennediana. A teoria não virou governo por acaso. Saiu do mesmo endereço.

02

O silêncio

Schwarz cita Glauber em vários livros, sempre de passagem, sem nunca analisar um filme. Glauber citou Schwarz várias vezes no final dos anos setenta, inclusive respondeu na Veja ao artigo que Schwarz publicara na Tempos Modernos de Sartre. Enquanto Glauber viveu, Schwarz não respondeu.


A oposição mais produtiva da vida intelectual brasileira do segundo pós-guerra ficou soterrada sob décadas de hostilidade corporativa e silêncio acadêmico. Desenterrá-la é trabalho de arqueologia histórica, e é o que esta aula faz."

03

Duas tradições

Glauber é o signo de um tipo de intelectual que o Brasil produziu e que a tradição schwarziana precisou desqualificar para existir. O intelectual que erra, se contradiz, grita, faz filmes impossíveis, apoia o que não deveria, mas age, propõe, constrói torto porque construir torto é melhor do que não construir nada.


Não é só Glauber, mas uma tradição que vai de Oswald de Andrade a Darcy Ribeiro, de Celso Furtado a Paulo Freire, de quem apostou numa via brasileira mesmo sabendo que podia dar errado. Schwarz representa o contrário: a tradição que transformou a lucidez em paralisia, e a paralisia em critério de verdade. Qual dessas posições de fato pensou o Brasil, e qual apenas o mediu contra um modelo que nunca existiu?

Sexta, 27 de março, às 11h.

A denúncia que Glauber fez e que ninguém respondeu. Ao vivo e gratuita.

Sexta, 27 de março, às 11h.

A denúncia que Glauber fez e que ninguém respondeu. Ao vivo e gratuita.

Sexta, 27 de março, às 11h.

A denúncia que Glauber fez e que ninguém respondeu. Ao vivo e gratuita.

antonio-candido
A aliança do intelectual com a burguesia leva sempre ao fracasso.

Glauber Rocha, A Revolução do Cinema Novo

antonio-candido
A aliança do intelectual com a burguesia leva sempre ao fracasso.

Glauber Rocha, A Revolução do Cinema Novo

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A aliança do intelectual com a burguesia leva sempre ao fracasso.

Glauber Rocha, A Revolução do Cinema Novo

Para quem é

Para quem é

Para quem já percebeu que alguma coisa está errada na maneira como o Brasil se explica para si mesmo, e quer mais do que a repetição do diagnóstico.

Para quem já leu Schwarz e ficou com a sensação de que faltava alguma coisa, mas também para quem nunca leu e quer entender por que ele importa sem precisar aderir.

Para quem trabalha com ciências humanas, com educação, com cultura, e sente que o vocabulário disponível para pensar o Brasil está viciado.

Aula ao vivo

Materiais em PDF

Gratuita

Espaço para dúvdas com o professor

Estudo aprofundado

A questão não é só "criticar Schwarz"

A questão não é só "criticar Schwarz"

Você já percebeu que o vocabulário para pensar o Brasil vem sempre do mesmo lugar. As mesmas categorias, os mesmos diagnósticos, a mesma conclusão: aqui não vai dar certo porque aqui é Brasil. O que sustentava esse diagnóstico e quem o financiou fica sempre de fora.

Você já percebeu que o vocabulário para pensar o Brasil vem sempre do mesmo lugar. As mesmas categorias, os mesmos diagnósticos, a mesma conclusão: aqui não vai dar certo porque aqui é Brasil. O que sustentava esse diagnóstico e quem o financiou fica sempre de fora.

Aliados às transformações no mundo como as lutas contra as ditaduras na América do Sul, pela Libertação dos países da África, pelos direitos civis nos EUA, a formação do Brasil e o pensamento dele decorrente não poderia vingar em termos sociais caso a politização deixasse de invadir o ateliê literário.

Ninguém colocou as duas tradições frente a frente. A que transformou a lucidez em paralisia e a que apostou numa via brasileira mesmo sabendo que podia dar errado. Essa aula faz o confronto que a academia evitou.

Você já percebeu que o vocabulário para pensar o Brasil vem sempre do mesmo lugar. As mesmas categorias, os mesmos diagnósticos, a mesma conclusão: aqui não vai dar certo porque aqui é Brasil. O que sustentava esse diagnóstico e quem o financiou fica sempre de fora.

Aliados às transformações no mundo como as lutas contra as ditaduras na América do Sul, pela Libertação dos países da África, pelos direitos civis nos EUA, a formação do Brasil e o pensamento dele decorrente não poderia vingar em termos sociais caso a politização deixasse de invadir o ateliê literário.

Ninguém colocou as duas tradições frente a frente. A que transformou a lucidez em paralisia e a que apostou numa via brasileira mesmo sabendo que podia dar errado. Essa aula faz o confronto que a academia evitou.

Pensar o Brasil sem pedir licença.

Você não terá outra oportunidade

Pensar o Brasil sem pedir licença.

Você não terá outra oportunidade

Este curso faz o cruzamento que a crítica nunca fez

Você não terá outra oportunidade

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Rogério Mattos

Prof.º Dr.º

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Rogério Mattos

Prof.º Dr.º

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Rogério Mattos

Prof.º Dr.º

// QUEM faz a aula //

// QUEM faz a aula //


Rogério Mattos é doutor em Estudos Literários pela UFF, mestre em Literatura Portuguesa e graduado em História pela UERJ, com especialização em História da África e pesquisa em historiografia e patrimônio na UNIRIO.


Quinze anos de sala de aula em instituições públicas e privadas. Publica n'O Abertinho e escreveu para GGN, Brasil de Fato e Teoria e Debate, além de publicações acadêmicas e de divulgação científica. Criou a Engenhoca (Escola de Humanidades) e o Cine-Poesia, grupo de estudos avançado em crítica da cultura.

Rogério Mattos é doutor em Estudos Literários pela UFF, com formação que atravessa História, Literatura Portuguesa e História da África. Quinze anos entre sala de aula e pesquisa, ensino básico e superior, educação pública e privada.


O que o move não cabe no currículo. É esse modo de pensar que faz as disciplinas perderem o contorno. Ver Pasolini como quem interroga a cultura atravessando fronteiras. Perceber em Coutinho um dispositivo que desmonta o olhar colonizador. Reconhecer em Sganzerla o gesto que cria um terceiro sentido entre palavra e imagem. Encontrar em Bolaño a distinção entre o poeta maldito e o poeta do mal. E entender por que Beatriz Nascimento precisou escrever em linguagem de poeta quando a historiografia não tinha palavras para o que ela queria dizer.


Desde 2016, desenvolve essa prática através d'O Abertinho. Textos que circularam por Teoria e Debate, Brasil de Fato, GGN e periódicos acadêmicos. Sempre na fronteira entre rigor teórico e intervenção crítica. Sempre recusando a separação entre pensar e agir.


Rogério Mattos é doutor em Estudos Literários pela UFF, mestre em Literatura Portuguesa e graduado em História pela UERJ, com especialização em História da África e pesquisa em historiografia e patrimônio na UNIRIO.


Quinze anos de sala de aula em instituições públicas e privadas. Publica n'O Abertinho e escreveu para GGN, Brasil de Fato e Teoria e Debate, além de publicações acadêmicas e de divulgação científica. Criou a Engenhoca (Escola de Humanidades) e o Cine-Poesia, grupo de estudos avançado em crítica da cultura.

O confronto que ninguém fez.

Sexta, 27 de março, às 11h. Ao vivo e gratuita.

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