Glauber 360º

O modernismo brasileiro inventou o intelectual que decifra o país. Glauber Rocha é o crepúsculo desse herói.

Se que saber mais, leia abaixo

Glauber 360º

O modernismo brasileiro inventou o intelectual que decifra o país. Glauber Rocha é o crepúsculo desse herói.

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Glauber 360º

O modernismo brasileiro inventou o intelectual que decifra o país. Glauber Rocha é o crepúsculo desse herói.

Se que saber mais, leia abaixo

Glauber Rocha é um desses nomes que todo mundo conhece e quase ninguém viu direito. Virou estátua antes de virar problema. E Glauber era, acima de tudo, um problema — para a direita que o censurou, para a esquerda que o chamou de fascista, para o cinema brasileiro que ainda não sabe muito bem o que fazer com ele.


Esta aula é uma tentativa de devolver a Glauber o que a celebração lhe tirou: o incômodo.

01

Como você aprendeu a ver Glauber

Provavelmente assim: o revolucionário do Cinema Novo. O cineasta que enfrentou a ditadura. O autor da Estética da Fome. O gênio baiano que morreu cedo demais.

Nada disso está errado. Mas é pouco.

É pouco porque congela Glauber numa imagem de herói. E o próprio Glauber passou boa parte de sua obra desconstruindo essa imagem — a do intelectual que ocupa o centro da cena, que decifra o país para o povo, que traduz a realidade brasileira para quem não consegue vê-la.

Terra em Transe é exatamente isso: a filmagem da crise desse herói. Paulo Martins, o poeta revolucionário que convoca o povo a falar e, no momento decisivo, tapa a boca do povo.

02

De onde vem essa imagem?

O longo modernismo brasileiro — de Oswald a Mário, de Drummond a Candido — construiu mais do que obras. Construiu uma posição: a do intelectual que forja a identidade nacional, que ergue o país em pedra e cal (literalmente: o SPHAN, o patrimônio, a "infância escolhida" da nação).

Glauber vem dessa tradição. É herdeiro dela. Mas está na fronteira onde ela começa a ruir.


Em 1965, na Estética da Fome, ele ainda faz um gesto para fora: inverte a antropofagia de Oswald, faz o colonizador engolir o colonizado. Em 1967, com Terra em Transe, o gesto volta para dentro — e o que ele encontra é uma classe que se achava lúcida e não conseguia ver a própria inconsciência.


A esquerda chamou o filme de fascista. Fernando Gabeira pediu que fosse incinerado. Nelson Rodrigues, o conservador, foi um dos poucos que entendeu — mas entendeu do jeito dele, lendo como confirmação do que já pensava sobre o povo.

Glauber filmou a si mesmo em crise. E filmou uma tradição inteira em colapso.

03

O que significa ver Glauber de todos os ângulos?

Significa virar do avesso. E significa ir do início ao fim.

O verso: o cineasta que fez o colonizador engolir, que inverteu a lógica do cinema brasileiro, que levou a fome como forma (não como tema) para o confronto internacional.


O reverso: o intelectual que filmou a si mesmo em crise, que mostrou a tradição da qual vinha em pleno colapso, que expôs uma classe inteira incapaz de engolir o que ele mostrava sobre ela mesma.


E o arco completo: de Deus e o Diabo na Terra do Sol até A Idade da Terra, passando pelos filmes do exílio. O Glauber que ainda acreditava na revolução e o Glauber que filmou o esgotamento de todas as promessas. O cineasta que fez manifestos e o cineasta que voltou ao Brasil para morrer fazendo um filme que quase ninguém entendeu.


Ver em 360º é recusar a imagem congelada. É acompanhar o movimento inteiro — as viradas, as crises, os impasses que ele não resolveu mas filmou. É entender que a grandeza de Glauber não está num gesto isolado, mas na tensão que atravessa toda a obra: entre o que ele quis fazer e o que ele descobriu sobre os limites de fazer.

04

O que você leva dessa aula

Entenda a Estética da Fome como gesto político, não como manifesto isolado. A inversão que Glauber propôs em 1965 — fazer o colonizador engolir em vez de ser digerido — só faz sentido quando você entende contra o que ele estava reagindo: décadas de cinema brasileiro fabricado para agradar o olhar europeu.

Veja Terra em Transe como autocrítica, não como continuação. A maioria lê o filme como mais uma etapa do projeto revolucionário. É o contrário: é a exposição das fissuras desse projeto, a filmagem de um herói intelectual em colapso — e de uma classe que não conseguiu engolir o que o filme mostrava sobre ela.

Acompanhe o arco completo, do início ao fim. O Glauber dos anos 1960 não é o mesmo do exílio, que não é o mesmo de A Idade da Terra. Entender essas passagens — o que muda, o que permanece, o que se radicaliza — é entender um percurso que a maioria das leituras congela em duas ou três imagens.

Conecte cinema, literatura e história sem forçar a barra. Glauber fez no cinema o que Guimarães Rosa fez na prosa. Entender essa operação muda o modo como você vê não só Glauber, mas a tradição que veio antes e depois dele.

Situe Glauber numa história que não é só do cinema. O longo modernismo brasileiro inventou uma figura — o intelectual que decifra o país — e Glauber é o momento em que essa figura entra em crise. O impasse que ele filmou não foi resolvido.

Saia da imagem congelada do gênio. Glauber não é herói nem mito. É documento de uma época. E documentos se leem — não se veneram.

Glauber Rocha é um desses nomes que todo mundo conhece e quase ninguém viu direito. Virou estátua antes de virar problema. E Glauber era, acima de tudo, um problema — para a direita que o censurou, para a esquerda que o chamou de fascista, para o cinema brasileiro que ainda não sabe muito bem o que fazer com ele.


Esta aula é uma tentativa de devolver a Glauber o que a celebração lhe tirou: o incômodo.

01

Como você aprendeu a ver Glauber

Provavelmente assim: o revolucionário do Cinema Novo. O cineasta que enfrentou a ditadura. O autor da Estética da Fome. O gênio baiano que morreu cedo demais.

Nada disso está errado. Mas é pouco.

É pouco porque congela Glauber numa imagem de herói. E o próprio Glauber passou boa parte de sua obra desconstruindo essa imagem — a do intelectual que ocupa o centro da cena, que decifra o país para o povo, que traduz a realidade brasileira para quem não consegue vê-la.

Terra em Transe é exatamente isso: a filmagem da crise desse herói. Paulo Martins, o poeta revolucionário que convoca o povo a falar e, no momento decisivo, tapa a boca do povo.

02

De onde vem essa imagem?

O longo modernismo brasileiro — de Oswald a Mário, de Drummond a Candido — construiu mais do que obras. Construiu uma posição: a do intelectual que forja a identidade nacional, que ergue o país em pedra e cal (literalmente: o SPHAN, o patrimônio, a "infância escolhida" da nação).

Glauber vem dessa tradição. É herdeiro dela. Mas está na fronteira onde ela começa a ruir.


Em 1965, na Estética da Fome, ele ainda faz um gesto para fora: inverte a antropofagia de Oswald, faz o colonizador engolir o colonizado. Em 1967, com Terra em Transe, o gesto volta para dentro — e o que ele encontra é uma classe que se achava lúcida e não conseguia ver a própria inconsciência.


A esquerda chamou o filme de fascista. Fernando Gabeira pediu que fosse incinerado. Nelson Rodrigues, o conservador, foi um dos poucos que entendeu — mas entendeu do jeito dele, lendo como confirmação do que já pensava sobre o povo.

Glauber filmou a si mesmo em crise. E filmou uma tradição inteira em colapso.

03

O que significa ver Glauber de todos os ângulos?

Significa virar do avesso. E significa ir do início ao fim.

O verso: o cineasta que fez o colonizador engolir, que inverteu a lógica do cinema brasileiro, que levou a fome como forma (não como tema) para o confronto internacional.


O reverso: o intelectual que filmou a si mesmo em crise, que mostrou a tradição da qual vinha em pleno colapso, que expôs uma classe inteira incapaz de engolir o que ele mostrava sobre ela mesma.


E o arco completo: de Deus e o Diabo na Terra do Sol até A Idade da Terra, passando pelos filmes do exílio. O Glauber que ainda acreditava na revolução e o Glauber que filmou o esgotamento de todas as promessas. O cineasta que fez manifestos e o cineasta que voltou ao Brasil para morrer fazendo um filme que quase ninguém entendeu.


Ver em 360º é recusar a imagem congelada. É acompanhar o movimento inteiro — as viradas, as crises, os impasses que ele não resolveu mas filmou. É entender que a grandeza de Glauber não está num gesto isolado, mas na tensão que atravessa toda a obra: entre o que ele quis fazer e o que ele descobriu sobre os limites de fazer.

04

O que você leva dessa aula

Entenda a Estética da Fome como gesto político, não como manifesto isolado. A inversão que Glauber propôs em 1965 — fazer o colonizador engolir em vez de ser digerido — só faz sentido quando você entende contra o que ele estava reagindo: décadas de cinema brasileiro fabricado para agradar o olhar europeu.

Veja Terra em Transe como autocrítica, não como continuação. A maioria lê o filme como mais uma etapa do projeto revolucionário. É o contrário: é a exposição das fissuras desse projeto, a filmagem de um herói intelectual em colapso — e de uma classe que não conseguiu engolir o que o filme mostrava sobre ela.

Acompanhe o arco completo, do início ao fim. O Glauber dos anos 1960 não é o mesmo do exílio, que não é o mesmo de A Idade da Terra. Entender essas passagens — o que muda, o que permanece, o que se radicaliza — é entender um percurso que a maioria das leituras congela em duas ou três imagens.

Conecte cinema, literatura e história sem forçar a barra. Glauber fez no cinema o que Guimarães Rosa fez na prosa. Entender essa operação muda o modo como você vê não só Glauber, mas a tradição que veio antes e depois dele.

Situe Glauber numa história que não é só do cinema. O longo modernismo brasileiro inventou uma figura — o intelectual que decifra o país — e Glauber é o momento em que essa figura entra em crise. O impasse que ele filmou não foi resolvido.

Saia da imagem congelada do gênio. Glauber não é herói nem mito. É documento de uma época. E documentos se leem — não se veneram.

Glauber Rocha é um desses nomes que todo mundo conhece e quase ninguém viu direito. Virou estátua antes de virar problema. E Glauber era, acima de tudo, um problema — para a direita que o censurou, para a esquerda que o chamou de fascista, para o cinema brasileiro que ainda não sabe muito bem o que fazer com ele.


Esta aula é uma tentativa de devolver a Glauber o que a celebração lhe tirou: o incômodo.

01

Como você aprendeu a ver Glauber

Provavelmente assim: o revolucionário do Cinema Novo. O cineasta que enfrentou a ditadura. O autor da Estética da Fome. O gênio baiano que morreu cedo demais.

Nada disso está errado. Mas é pouco.

É pouco porque congela Glauber numa imagem de herói. E o próprio Glauber passou boa parte de sua obra desconstruindo essa imagem — a do intelectual que ocupa o centro da cena, que decifra o país para o povo, que traduz a realidade brasileira para quem não consegue vê-la.

Terra em Transe é exatamente isso: a filmagem da crise desse herói. Paulo Martins, o poeta revolucionário que convoca o povo a falar e, no momento decisivo, tapa a boca do povo.

02

De onde vem essa imagem?

O longo modernismo brasileiro — de Oswald a Mário, de Drummond a Candido — construiu mais do que obras. Construiu uma posição: a do intelectual que forja a identidade nacional, que ergue o país em pedra e cal (literalmente: o SPHAN, o patrimônio, a "infância escolhida" da nação).

Glauber vem dessa tradição. É herdeiro dela. Mas está na fronteira onde ela começa a ruir.


Em 1965, na Estética da Fome, ele ainda faz um gesto para fora: inverte a antropofagia de Oswald, faz o colonizador engolir o colonizado. Em 1967, com Terra em Transe, o gesto volta para dentro — e o que ele encontra é uma classe que se achava lúcida e não conseguia ver a própria inconsciência.


A esquerda chamou o filme de fascista. Fernando Gabeira pediu que fosse incinerado. Nelson Rodrigues, o conservador, foi um dos poucos que entendeu — mas entendeu do jeito dele, lendo como confirmação do que já pensava sobre o povo.

Glauber filmou a si mesmo em crise. E filmou uma tradição inteira em colapso.

03

O que significa ver Glauber de todos os ângulos?

Significa virar do avesso. E significa ir do início ao fim.

O verso: o cineasta que fez o colonizador engolir, que inverteu a lógica do cinema brasileiro, que levou a fome como forma (não como tema) para o confronto internacional.


O reverso: o intelectual que filmou a si mesmo em crise, que mostrou a tradição da qual vinha em pleno colapso, que expôs uma classe inteira incapaz de engolir o que ele mostrava sobre ela mesma.


E o arco completo: de Deus e o Diabo na Terra do Sol até A Idade da Terra, passando pelos filmes do exílio. O Glauber que ainda acreditava na revolução e o Glauber que filmou o esgotamento de todas as promessas. O cineasta que fez manifestos e o cineasta que voltou ao Brasil para morrer fazendo um filme que quase ninguém entendeu.


Ver em 360º é recusar a imagem congelada. É acompanhar o movimento inteiro — as viradas, as crises, os impasses que ele não resolveu mas filmou. É entender que a grandeza de Glauber não está num gesto isolado, mas na tensão que atravessa toda a obra: entre o que ele quis fazer e o que ele descobriu sobre os limites de fazer.

04

O que você leva dessa aula

Entenda a Estética da Fome como gesto político, não como manifesto isolado. A inversão que Glauber propôs em 1965 — fazer o colonizador engolir em vez de ser digerido — só faz sentido quando você entende contra o que ele estava reagindo: décadas de cinema brasileiro fabricado para agradar o olhar europeu.

Veja Terra em Transe como autocrítica, não como continuação. A maioria lê o filme como mais uma etapa do projeto revolucionário. É o contrário: é a exposição das fissuras desse projeto, a filmagem de um herói intelectual em colapso — e de uma classe que não conseguiu engolir o que o filme mostrava sobre ela.

Acompanhe o arco completo, do início ao fim. O Glauber dos anos 1960 não é o mesmo do exílio, que não é o mesmo de A Idade da Terra. Entender essas passagens — o que muda, o que permanece, o que se radicaliza — é entender um percurso que a maioria das leituras congela em duas ou três imagens.

Conecte cinema, literatura e história sem forçar a barra. Glauber fez no cinema o que Guimarães Rosa fez na prosa. Entender essa operação muda o modo como você vê não só Glauber, mas a tradição que veio antes e depois dele.

Situe Glauber numa história que não é só do cinema. O longo modernismo brasileiro inventou uma figura — o intelectual que decifra o país — e Glauber é o momento em que essa figura entra em crise. O impasse que ele filmou não foi resolvido.

Saia da imagem congelada do gênio. Glauber não é herói nem mito. É documento de uma época. E documentos se leem — não se veneram.

Aula gratuita

Glauber 360º é uma aula ao vivo onde desenvolvo essa leitura. O verso e o reverso. Do início ao fim. De Deus e o Diabo a A Idade da Terra.

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Glauber 360º é uma aula ao vivo onde desenvolvo essa leitura. O verso e o reverso. Do início ao fim. De Deus e o Diabo a A Idade da Terra.

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Rogério Mattos

Prof.º Dr.º

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Rogério Mattos

Prof.º Dr.º

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Rogério Mattos

Prof.º Dr.º

// QUEM CRIOU a aula //

// QUEM CRIOU a aula //


Rogério Mattos é doutor em Estudos Literários pela UFF, com formação que atravessa História, Literatura Portuguesa e História da África. Quinze anos entre sala de aula e pesquisa, sempre na fronteira entre disciplinas que, para ele, há muito perderam o contorno.


Seu trabalho sobre cinema brasileiro parte de uma recusa: a de separar a análise fílmica da tradição literária e do pensamento crítico que a formou. Ver Glauber sem Candido, sem Silviano Santiago, sem Guimarães Rosa, é ver pela metade. E ver Glauber sem o que veio depois dele — Sganzerla, Coutinho, Beatriz Nascimento — é congelar o que precisa continuar em movimento.


Rogério Mattos é doutor em Estudos Literários pela UFF, com formação que atravessa História, Literatura Portuguesa e História da África. Quinze anos entre sala de aula e pesquisa, sempre na fronteira entre disciplinas que, para ele, há muito perderam o contorno.


Seu trabalho sobre cinema brasileiro parte de uma recusa: a de separar a análise fílmica da tradição literária e do pensamento crítico que a formou. Ver Glauber sem Candido, sem Silviano Santiago, sem Guimarães Rosa, é ver pela metade. E ver Glauber sem o que veio depois dele — Sganzerla, Coutinho, Beatriz Nascimento — é congelar o que precisa continuar em movimento.

Rogério Mattos é doutor em Estudos Literários pela UFF, com formação que atravessa História, Literatura Portuguesa e História da África. Quinze anos entre sala de aula e pesquisa, ensino básico e superior, educação pública e privada.


O que o move não cabe no currículo. É esse modo de pensar que faz as disciplinas perderem o contorno. Ver Pasolini como quem interroga a cultura atravessando fronteiras. Perceber em Coutinho um dispositivo que desmonta o olhar colonizador. Reconhecer em Sganzerla o gesto que cria um terceiro sentido entre palavra e imagem. Encontrar em Bolaño a distinção entre o poeta maldito e o poeta do mal. E entender por que Beatriz Nascimento precisou escrever em linguagem de poeta quando a historiografia não tinha palavras para o que ela queria dizer.


Desde 2016, desenvolve essa prática através d'O Abertinho. Textos que circularam por Teoria e Debate, Brasil de Fato, GGN e periódicos acadêmicos. Sempre na fronteira entre rigor teórico e intervenção crítica. Sempre recusando a separação entre pensar e agir.

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