Historiografia, patrimônio e cinema no Brasil
Narrativas do passado
O Brasil se contou de muitas maneiras ao longo do século XX, e quase todas vieram de cima. Um grupo restrito de intelectuais ocupou o aparelho de Estado, construiu uma imagem de nação a partir do barroco colonial e da arquitetura moderna, e relegou ao porão (literalmente, no caso do Museu Histórico Nacional) tudo o que não cabia naquela moldura.
Quando o projeto que sustentava essa narrativa entrou em colapso, junto com a indústria e a classe intelectual que o articulava, a pergunta que ficou não foi o que preservar, mas quem tem autoridade para narrar o passado e em que termos essa narrativa se faz.
Historiografia, patrimônio e cinema no Brasil
Narrativas do passado
O Brasil se contou de muitas maneiras ao longo do século XX, e quase todas vieram de cima. Um grupo restrito de intelectuais ocupou o aparelho de Estado, construiu uma imagem de nação a partir do barroco colonial e da arquitetura moderna, e relegou ao porão (literalmente, no caso do Museu Histórico Nacional) tudo o que não cabia naquela moldura.
Quando o projeto que sustentava essa narrativa entrou em colapso, junto com a indústria e a classe intelectual que o articulava, a pergunta que ficou não foi o que preservar, mas quem tem autoridade para narrar o passado e em que termos essa narrativa se faz.
Historiografia, patrimônio e cinema no Brasil
Narrativas do passado
O Brasil se contou de muitas maneiras ao longo do século XX, e quase todas vieram de cima. Um grupo restrito de intelectuais ocupou o aparelho de Estado, construiu uma imagem de nação a partir do barroco colonial e da arquitetura moderna, e relegou ao porão (literalmente, no caso do Museu Histórico Nacional) tudo o que não cabia naquela moldura.
Quando o projeto que sustentava essa narrativa entrou em colapso, junto com a indústria e a classe intelectual que o articulava, a pergunta que ficou não foi o que preservar, mas quem tem autoridade para narrar o passado e em que termos essa narrativa se faz.
Um modo de ver o mundo
Este curso enfrenta essa pergunta cruzando historiografia, patrimônio e cinema como três formas de contar a mesma história, inclusive pelo que calaram. Ler a nostalgia imperial pelo patrimônio, a ditadura pela historiografia econômica, o passado pelo cinema.
Quem aprende a ver esse cruzamento aprende a contar a história do Brasil de um modo que a universidade compartimentou e que o debate público esqueceu.
01
Nostalgia imperial

Em 1985, três anos antes de o artigo 216 da Constituição reconhecer a demanda social como critério do patrimônio, Petrópolis foi declarada "cidade imperial." O panorama patrimonial brasileiro inteiro estava mudando na direção oposta (os tombamentos do Terreiro da Casa Branca e do Quilombo dos Palmares, a entrada dos historiadores no IPHAN), e Petrópolis reafirmou o projeto que todos os demais começavam a questionar.
No mesmo território convivem o Palácio de Cristal erguido sobre um quilombo onde a Princesa Isabel concedeu 103 alforrias numa cerimônia solene, o Museu Imperial que exalta Pedro II como monarca ilustrado sem mencionar nada disso, e a Casa da Morte, um dos centros de tortura mais brutais da ditadura, cujo tombamento foi revertido e cuja fachada foi alterada pelo proprietário.
Três camadas de apagamento comprimidas no mesmo lugar que se apresenta como cartão postal de harmonia.
02
Cordialidade e rentismo

A cordialidade brasileira é um projeto econômico, não apenas cultural: viver de renda e ter gente trabalhando a preço vil. O Rio de Janeiro foi o maior porto negreiro da história, com um quinto de todos os desembarques de 350 anos concentrados em 41 anos.
Os traficantes que enriqueceram ali, ao perder o tráfico, não formaram companhias de comércio como os ingleses. Tornaram-se rentistas, proprietários de terras e imóveis urbanos, gerando uma especulação tão brutal que uma lojinha no centro do Rio custava mais que uma fazenda com escravos.
É o padrão que se repete da abertura dos portos ao Plano Real.
03
Repressão e financeirização

A industrialização dos anos 1950 criou uma classe trabalhadora organizada que começava a reivindicar. O golpe a conteve. A ditadura optou pela mesma lógica dos rentistas do século XIX, financeirização em vez de industrialização, poupança estrangeira sustentando o "milagre", arrocho salarial como política de Estado. Não dá para superexplorar o trabalho sem reprimir quem reclama.
Os traficantes tinham a escravidão como coerção; a ditadura teve o AI-5 e a tortura; a democracia tem a polícia nas favelas e o precariado que fala linguagem de CEO. Joel Rufino dos Santos, negro, de origem pobre, preso antes do AI-5, viu a linha inteira.
"O Brasil teve quatrocentos anos de escravidão; o que me impressiona é que só quando a tortura atingiu os brancos de classe média isso virou escândalo".
04
Memórias silenciadas
Quando a ditadura virou memória, quem contou a história foi o sobrevivente branco de classe média, e o mártir se consolidou como tipologia. Olga Benário, militante comunista cuja casa no Caxambi foi o último esconderijo antes da prisão, não tem placa.
Ana Rosa Kucinski, professora de química da USP, desaparecida na Casa da Morte de Petrópolis. O irmão escreveu um romance sobre a impossibilidade de resgatar quem foi feito desaparecer. As mães de Kethellen e Rebecca, mortas na porta de casa por um tiro de fuzil que atravessou a cabeça das duas, lutam por lugares de memória numa cidade que não lhes oferece nenhum. Três gerações de mulheres enfrentando o estado de exceção sem que a narrativa dominante lhes desse lugar.
Quando os memoriais tentaram existir, foram destruídos. O de Volta Redonda recebeu uma bomba no dia seguinte à inauguração, o de Eldorado dos Carajás dias depois, o Zumbi na Praça 11 todo ano. O Triângulo da Memória de São Paulo permanece intacto.
05
Cinema e historiografia
Quando os cineastas Mbyá-Guarani pegaram a câmera em São Miguel das Missões (tombado no início do IPHAN como "utopia civilizacional"), mostraram duas versões internas e contraditórias daquele passado, feitas de dentro, sem pedir autorização à historiografia oficial.
Eduardo Coutinho, ao longo de trinta anos, foi desmontando o modelo documental herdado (a tese prévia, a voice-over, o entrevistado como amostragem) até chegar ao sertão da Paraíba sem roteiro, onde a câmera não filmou a história dos de baixo. Criou as condições para que eles a narrassem por si, com uma complexidade que nenhum documento de arquivo alcançaria.
O olhar indígena que reescreve o patrimônio tombado, a voz do sertanejo que reconstrói o passado diante da câmera, a mãe favelada que exige ser reconhecida na sua humanidade: o cinema não ilustra a história. Acessa o que o documento escrito não alcança, e serve como fonte e como método para a escrita da história.
Um modo de ver o mundo
Este curso enfrenta essa pergunta cruzando historiografia, patrimônio e cinema como três formas de contar a mesma história, inclusive pelo que calaram. Ler a nostalgia imperial pelo patrimônio, a ditadura pela historiografia econômica, o passado pelo cinema.
Quem aprende a ver esse cruzamento aprende a contar a história do Brasil de um modo que a universidade compartimentou e que o debate público esqueceu.
01
Nostalgia imperial

Em 1985, três anos antes de o artigo 216 da Constituição reconhecer a demanda social como critério do patrimônio, Petrópolis foi declarada "cidade imperial." O panorama patrimonial brasileiro inteiro estava mudando na direção oposta (os tombamentos do Terreiro da Casa Branca e do Quilombo dos Palmares, a entrada dos historiadores no IPHAN), e Petrópolis reafirmou o projeto que todos os demais começavam a questionar.
No mesmo território convivem o Palácio de Cristal erguido sobre um quilombo onde a Princesa Isabel concedeu 103 alforrias numa cerimônia solene, o Museu Imperial que exalta Pedro II como monarca ilustrado sem mencionar nada disso, e a Casa da Morte, um dos centros de tortura mais brutais da ditadura, cujo tombamento foi revertido e cuja fachada foi alterada pelo proprietário.
Três camadas de apagamento comprimidas no mesmo lugar que se apresenta como cartão postal de harmonia.
02
Cordialidade e rentismo

A cordialidade brasileira é um projeto econômico, não apenas cultural: viver de renda e ter gente trabalhando a preço vil. O Rio de Janeiro foi o maior porto negreiro da história, com um quinto de todos os desembarques de 350 anos concentrados em 41 anos.
Os traficantes que enriqueceram ali, ao perder o tráfico, não formaram companhias de comércio como os ingleses. Tornaram-se rentistas, proprietários de terras e imóveis urbanos, gerando uma especulação tão brutal que uma lojinha no centro do Rio custava mais que uma fazenda com escravos.
É o padrão que se repete da abertura dos portos ao Plano Real.
03
Repressão e financeirização

A industrialização dos anos 1950 criou uma classe trabalhadora organizada que começava a reivindicar. O golpe a conteve. A ditadura optou pela mesma lógica dos rentistas do século XIX, financeirização em vez de industrialização, poupança estrangeira sustentando o "milagre", arrocho salarial como política de Estado. Não dá para superexplorar o trabalho sem reprimir quem reclama.
Os traficantes tinham a escravidão como coerção; a ditadura teve o AI-5 e a tortura; a democracia tem a polícia nas favelas e o precariado que fala linguagem de CEO. Joel Rufino dos Santos, negro, de origem pobre, preso antes do AI-5, viu a linha inteira.
"O Brasil teve quatrocentos anos de escravidão; o que me impressiona é que só quando a tortura atingiu os brancos de classe média isso virou escândalo".
04
Memórias silenciadas
Quando a ditadura virou memória, quem contou a história foi o sobrevivente branco de classe média, e o mártir se consolidou como tipologia. Olga Benário, militante comunista cuja casa no Caxambi foi o último esconderijo antes da prisão, não tem placa.
Ana Rosa Kucinski, professora de química da USP, desaparecida na Casa da Morte de Petrópolis. O irmão escreveu um romance sobre a impossibilidade de resgatar quem foi feito desaparecer. As mães de Kethellen e Rebecca, mortas na porta de casa por um tiro de fuzil que atravessou a cabeça das duas, lutam por lugares de memória numa cidade que não lhes oferece nenhum. Três gerações de mulheres enfrentando o estado de exceção sem que a narrativa dominante lhes desse lugar.
Quando os memoriais tentaram existir, foram destruídos. O de Volta Redonda recebeu uma bomba no dia seguinte à inauguração, o de Eldorado dos Carajás dias depois, o Zumbi na Praça 11 todo ano. O Triângulo da Memória de São Paulo permanece intacto.
05
Cinema e historiografia
Quando os cineastas Mbyá-Guarani pegaram a câmera em São Miguel das Missões (tombado no início do IPHAN como "utopia civilizacional"), mostraram duas versões internas e contraditórias daquele passado, feitas de dentro, sem pedir autorização à historiografia oficial.
Eduardo Coutinho, ao longo de trinta anos, foi desmontando o modelo documental herdado (a tese prévia, a voice-over, o entrevistado como amostragem) até chegar ao sertão da Paraíba sem roteiro, onde a câmera não filmou a história dos de baixo. Criou as condições para que eles a narrassem por si, com uma complexidade que nenhum documento de arquivo alcançaria.
O olhar indígena que reescreve o patrimônio tombado, a voz do sertanejo que reconstrói o passado diante da câmera, a mãe favelada que exige ser reconhecida na sua humanidade: o cinema não ilustra a história. Acessa o que o documento escrito não alcança, e serve como fonte e como método para a escrita da história.
Um modo de ver o mundo
Este curso enfrenta essa pergunta cruzando historiografia, patrimônio e cinema como três formas de contar a mesma história, inclusive pelo que calaram. Ler a nostalgia imperial pelo patrimônio, a ditadura pela historiografia econômica, o passado pelo cinema.
Quem aprende a ver esse cruzamento aprende a contar a história do Brasil de um modo que a universidade compartimentou e que o debate público esqueceu.
01
Nostalgia imperial

Em 1985, três anos antes de o artigo 216 da Constituição reconhecer a demanda social como critério do patrimônio, Petrópolis foi declarada "cidade imperial." O panorama patrimonial brasileiro inteiro estava mudando na direção oposta (os tombamentos do Terreiro da Casa Branca e do Quilombo dos Palmares, a entrada dos historiadores no IPHAN), e Petrópolis reafirmou o projeto que todos os demais começavam a questionar.
No mesmo território convivem o Palácio de Cristal erguido sobre um quilombo onde a Princesa Isabel concedeu 103 alforrias numa cerimônia solene, o Museu Imperial que exalta Pedro II como monarca ilustrado sem mencionar nada disso, e a Casa da Morte, um dos centros de tortura mais brutais da ditadura, cujo tombamento foi revertido e cuja fachada foi alterada pelo proprietário.
Três camadas de apagamento comprimidas no mesmo lugar que se apresenta como cartão postal de harmonia.
02
Cordialidade e rentismo

A cordialidade brasileira é um projeto econômico, não apenas cultural: viver de renda e ter gente trabalhando a preço vil. O Rio de Janeiro foi o maior porto negreiro da história, com um quinto de todos os desembarques de 350 anos concentrados em 41 anos.
Os traficantes que enriqueceram ali, ao perder o tráfico, não formaram companhias de comércio como os ingleses. Tornaram-se rentistas, proprietários de terras e imóveis urbanos, gerando uma especulação tão brutal que uma lojinha no centro do Rio custava mais que uma fazenda com escravos.
É o padrão que se repete da abertura dos portos ao Plano Real.
03
Repressão e financeirização

A industrialização dos anos 1950 criou uma classe trabalhadora organizada que começava a reivindicar. O golpe a conteve. A ditadura optou pela mesma lógica dos rentistas do século XIX, financeirização em vez de industrialização, poupança estrangeira sustentando o "milagre", arrocho salarial como política de Estado. Não dá para superexplorar o trabalho sem reprimir quem reclama.
Os traficantes tinham a escravidão como coerção; a ditadura teve o AI-5 e a tortura; a democracia tem a polícia nas favelas e o precariado que fala linguagem de CEO. Joel Rufino dos Santos, negro, de origem pobre, preso antes do AI-5, viu a linha inteira.
"O Brasil teve quatrocentos anos de escravidão; o que me impressiona é que só quando a tortura atingiu os brancos de classe média isso virou escândalo".
04
Memórias silenciadas
Quando a ditadura virou memória, quem contou a história foi o sobrevivente branco de classe média, e o mártir se consolidou como tipologia. Olga Benário, militante comunista cuja casa no Caxambi foi o último esconderijo antes da prisão, não tem placa.
Ana Rosa Kucinski, professora de química da USP, desaparecida na Casa da Morte de Petrópolis. O irmão escreveu um romance sobre a impossibilidade de resgatar quem foi feito desaparecer. As mães de Kethellen e Rebecca, mortas na porta de casa por um tiro de fuzil que atravessou a cabeça das duas, lutam por lugares de memória numa cidade que não lhes oferece nenhum. Três gerações de mulheres enfrentando o estado de exceção sem que a narrativa dominante lhes desse lugar.
Quando os memoriais tentaram existir, foram destruídos. O de Volta Redonda recebeu uma bomba no dia seguinte à inauguração, o de Eldorado dos Carajás dias depois, o Zumbi na Praça 11 todo ano. O Triângulo da Memória de São Paulo permanece intacto.
05
Cinema e historiografia
Quando os cineastas Mbyá-Guarani pegaram a câmera em São Miguel das Missões (tombado no início do IPHAN como "utopia civilizacional"), mostraram duas versões internas e contraditórias daquele passado, feitas de dentro, sem pedir autorização à historiografia oficial.
Eduardo Coutinho, ao longo de trinta anos, foi desmontando o modelo documental herdado (a tese prévia, a voice-over, o entrevistado como amostragem) até chegar ao sertão da Paraíba sem roteiro, onde a câmera não filmou a história dos de baixo. Criou as condições para que eles a narrassem por si, com uma complexidade que nenhum documento de arquivo alcançaria.
O olhar indígena que reescreve o patrimônio tombado, a voz do sertanejo que reconstrói o passado diante da câmera, a mãe favelada que exige ser reconhecida na sua humanidade: o cinema não ilustra a história. Acessa o que o documento escrito não alcança, e serve como fonte e como método para a escrita da história.
Cinco entradas para o mesmo Brasil
Cinco entradas para o mesmo Brasil
A maioria dos cursos de história separa o que este cruza. A historiografia econômica fica numa gaveta, o patrimônio em outra, o cinema em outra, a história política em outra. Quem estuda Fragoso e Florentino não assiste a Coutinho, quem estuda a ditadura não lê a estrutura expositiva do Museu Imperial, quem assiste ao cinema indígena não conecta com a praça mercantil carioca do século XIX.
A maioria dos cursos de história separa o que este cruza. A historiografia econômica fica numa gaveta, o patrimônio em outra, o cinema em outra, a história política em outra. Quem estuda Fragoso e Florentino não assiste a Coutinho, quem estuda a ditadura não lê a estrutura expositiva do Museu Imperial, quem assiste ao cinema indígena não conecta com a praça mercantil carioca do século XIX.
Aliados às transformações no mundo como as lutas contra as ditaduras na América do Sul, pela Libertação dos países da África, pelos direitos civis nos EUA, a formação do Brasil e o pensamento dele decorrente não poderia vingar em termos sociais caso a politização deixasse de invadir o ateliê literário.

Este curso conecta. Cada aula lê o Brasil por uma entrada diferente, mas o fio que as atravessa é o mesmo: a pergunta sobre quem construiu a narrativa dominante, a que custo, e o que ficou enterrado debaixo dela. O cruzamento não é decorativo. É o que permite ver a cordialidade como projeto econômico e não apenas como traço de caráter, tratar o cinema como fonte da história com a mesma seriedade que se exige de qualquer arquivo, e perguntar a serviço de quem funciona cada museu, cada memorial, cada narrativa sobre o passado.
A maioria dos cursos de história separa o que este cruza. A historiografia econômica fica numa gaveta, o patrimônio em outra, o cinema em outra, a história política em outra. Quem estuda Fragoso e Florentino não assiste a Coutinho, quem estuda a ditadura não lê a estrutura expositiva do Museu Imperial, quem assiste ao cinema indígena não conecta com a praça mercantil carioca do século XIX.
Aliados às transformações no mundo como as lutas contra as ditaduras na América do Sul, pela Libertação dos países da África, pelos direitos civis nos EUA, a formação do Brasil e o pensamento dele decorrente não poderia vingar em termos sociais caso a politização deixasse de invadir o ateliê literário.

Este curso conecta. Cada aula lê o Brasil por uma entrada diferente, mas o fio que as atravessa é o mesmo: a pergunta sobre quem construiu a narrativa dominante, a que custo, e o que ficou enterrado debaixo dela. O cruzamento não é decorativo. É o que permite ver a cordialidade como projeto econômico e não apenas como traço de caráter, tratar o cinema como fonte da história com a mesma seriedade que se exige de qualquer arquivo, e perguntar a serviço de quem funciona cada museu, cada memorial, cada narrativa sobre o passado.
Dezoito horas de conteúdo. Doze aulas. Uma formação que não existe em outro lugar.
ou continue a leitura para conhecer o percurso completo →
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ou continue a leitura para conhecer o percurso completo →
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A Terra é o meu quilombo. Meu espaço é meu quilombo. Onde eu estou, eu estou. Quando eu estou, eu sou.
Beatriz Nascimento, Orí (1989)

A Terra é o meu quilombo. Meu espaço é meu quilombo. Onde eu estou, eu estou. Quando eu estou, eu sou.
Beatriz Nascimento, Orí (1989)

A Terra é o meu quilombo. Meu espaço é meu quilombo. Onde eu estou, eu estou. Quando eu estou, eu sou.
Beatriz Nascimento, Orí (1989)
Para quem é este curso?
Para quem é este curso?
Para quem sente que a história do Brasil como lhe foi contada não fecha, e que a distância entre o que os museus exibem e o que o país viveu não é acidental.
Para quem já leu os clássicos do pensamento social brasileiro e intuiu que há algo naquela conversa que não se resolve dentro dela.
Para quem assiste a um documentário de Coutinho ou ao cinema indígena e percebe que ali tem historiografia, mesmo que a universidade nunca tenha chamado assim.
Para o professor que quer fontes novas, para o pesquisador de patrimônio que precisa cruzar o arquivo com a imagem, para o cineasta que quer entender o que seu filme documenta além da superfície visível.
E para quem simplesmente cansou de ouvir que o Brasil não deu certo sem que ninguém diga a serviço de quem essa explicação funciona.
Aulas gravadas
Materiais em PDF
Assista no seu tempo
Acompanhamento do professor
Estudo aprofundado
Historiografia, patrimônio e cinema cruzados numa mesma formação, em doze aulas.
A questão é menos saber mais história do Brasil do que aprender a ver o que uma certa ideia de brasilidade encobriu, o que a nostalgia imperial naturalizou e o que as memórias silenciadas revelam sobre quem decide o que merece ser lembrado.
O valor integral do curso é R$600. Periodicamente, a escola abre uma janela de desconto para facilitar o acesso. Esta é uma dessas janelas. O desconto de 25% vale por poucos dias e não tenho como garantir quando a próxima acontece, nem se este curso, com esta configuração específica de doze aulas e dezoito horas, volta a ser oferecido depois.
Investimento
25% de desconto
de R$600
R$450
por R$450
Pague em até 12x
Textos trabalhados em PDF
Materiais paradidáticos
Sínteses detalhadas de cada encontro
Aulas ao vivo e gravadas
Interlocução direta com o professor
Historiografia, patrimônio e cinema cruzados numa mesma formação, em doze aulas.
A questão é menos saber mais história do Brasil do que aprender a ver o que uma certa ideia de brasilidade encobriu, o que a nostalgia imperial naturalizou e o que as memórias silenciadas revelam sobre quem decide o que merece ser lembrado.
O valor integral do curso é R$600. Periodicamente, a escola abre uma janela de desconto para facilitar o acesso. Esta é uma dessas janelas. O desconto de 25% vale por poucos dias e não tenho como garantir quando a próxima acontece, nem se este curso, com esta configuração específica de doze aulas e dezoito horas, volta a ser oferecido depois.
Investimento
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por R$450
Pague em até 12x
Textos trabalhados em PDF
Materiais paradidáticos
Sínteses detalhadas de cada encontro
Aulas ao vivo e gravadas
Interlocução direta com o professor
Historiografia, patrimônio e cinema cruzados numa mesma formação, em doze aulas.
A questão é menos saber mais história do Brasil do que aprender a ver o que uma certa ideia de brasilidade encobriu, o que a nostalgia imperial naturalizou e o que as memórias silenciadas revelam sobre quem decide o que merece ser lembrado.
O valor integral do curso é R$600. Periodicamente, a escola abre uma janela de desconto para facilitar o acesso. Esta é uma dessas janelas. O desconto de 25% vale por poucos dias e não tenho como garantir quando a próxima acontece, nem se este curso, com esta configuração específica de doze aulas e dezoito horas, volta a ser oferecido depois.
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Rogério Mattos
Prof.º Dr.º

Rogério Mattos
Prof.º Dr.º

Rogério Mattos
Prof.º Dr.º
// QUEM CRIOU as aulas //
// QUEM CRIOU as aulas //
Rogério Mattos é doutor em Estudos Literários pela UFF e pesquisa atualmente historiografia e patrimônio na UNIRIO. Sua formação atravessa História (UERJ), Literatura Portuguesa (mestrado, UERJ) e História da África e do negro no Brasil (UCAM). Quinze anos entre sala de aula e pesquisa, ensino básico e superior, educação pública e privada. Publicou em periódicos acadêmicos e em veículos como GGN, Brasil de Fato e Teoria e Debate.
O que o move não cabe no currículo. É um modo de pensar que faz as disciplinas perderem o contorno, que encontra na historiografia econômica colonial a gênese da cordialidade como projeto, nos museus nacionais a nostalgia que se cristalizou em estrutura expositiva, no cinema de Coutinho e dos cineastas Mbyá-Guarani um acesso ao passado que nenhum documento de arquivo alcança. Desde 2016, desenvolve essa prática através d'O Abertinho e da escola A Engenhoca, onde criou o Cine-Poesia (grupo de estudos avançado em crítica da cultura) e uma série de cursos que nascem da convicção de que pensamento vivo sempre chama outro.
Rogério Mattos é doutor em Estudos Literários pela UFF, com formação que atravessa História, Literatura Portuguesa e História da África. Quinze anos entre sala de aula e pesquisa, ensino básico e superior, educação pública e privada.
O que o move não cabe no currículo. É esse modo de pensar que faz as disciplinas perderem o contorno. Ver Pasolini como quem interroga a cultura atravessando fronteiras. Perceber em Coutinho um dispositivo que desmonta o olhar colonizador. Reconhecer em Sganzerla o gesto que cria um terceiro sentido entre palavra e imagem. Encontrar em Bolaño a distinção entre o poeta maldito e o poeta do mal. E entender por que Beatriz Nascimento precisou escrever em linguagem de poeta quando a historiografia não tinha palavras para o que ela queria dizer.
Desde 2016, desenvolve essa prática através d'O Abertinho. Textos que circularam por Teoria e Debate, Brasil de Fato, GGN e periódicos acadêmicos. Sempre na fronteira entre rigor teórico e intervenção crítica. Sempre recusando a separação entre pensar e agir.
Rogério Mattos é doutor em Estudos Literários pela UFF e pesquisa atualmente historiografia e patrimônio na UNIRIO. Sua formação atravessa História (UERJ), Literatura Portuguesa (mestrado, UERJ) e História da África e do negro no Brasil (UCAM). Quinze anos entre sala de aula e pesquisa, ensino básico e superior, educação pública e privada. Publicou em periódicos acadêmicos e em veículos como GGN, Brasil de Fato e Teoria e Debate.
O que o move não cabe no currículo. É um modo de pensar que faz as disciplinas perderem o contorno, que encontra na historiografia econômica colonial a gênese da cordialidade como projeto, nos museus nacionais a nostalgia que se cristalizou em estrutura expositiva, no cinema de Coutinho e dos cineastas Mbyá-Guarani um acesso ao passado que nenhum documento de arquivo alcança. Desde 2016, desenvolve essa prática através d'O Abertinho e da escola A Engenhoca, onde criou o Cine-Poesia (grupo de estudos avançado em crítica da cultura) e uma série de cursos que nascem da convicção de que pensamento vivo sempre chama outro.
A memória do mundo se forma nas margens. O que falta é aprender a vê-las.
Doze aulas, dezoito horas, cinco entradas para o mesmo Brasil. O desconto de 25% vale por poucos dias.
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